Exercícios militares pressionam Taipé após apoio dos EUA, diz imprensa chinesa

As manobras lançadas hoje pela China em torno de Taiwan simulam um “estreitamento do cerco” à ilha e respondem ao reforço do apoio militar dos Estados Unidos, segundo especialistas chineses citados pela imprensa oficial chinesa.

Executive Digest com Lusa

As manobras lançadas hoje pela China em torno de Taiwan simulam um “estreitamento do cerco” à ilha e respondem ao reforço do apoio militar dos Estados Unidos, segundo especialistas chineses citados pela imprensa oficial chinesa.

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O Exército de Libertação Popular delimitou cinco zonas de exercício com fogo real – duas a norte, duas a sul e uma a leste da ilha – numa configuração que, segundo Zhang Chi, professor da Universidade Nacional de Defesa da China, visa permitir aproximações “por múltiplas direções” e um controlo conjunto do espaço marítimo e aéreo.

Em declarações ao jornal oficial Global Times, o académico apontou três características que diferenciam os exercícios de operações anteriores: a proximidade inédita à ilha, a configuração em três flancos e os alvos táticos mais definidos.

Zhang afirmou que as zonas a norte estão próximas dos principais portos da região e visam tanto as infraestruturas como os “líderes independentistas”, numa possível simulação de bloqueio. Já a zona leste, sugeriu, procura controlar um corredor crucial para eventual apoio externo a Taiwan – numa alusão velada aos Estados Unidos, maior fornecedor de armamento a Taipé.

O analista militar Fu Zhengnan, citado por uma conta nas redes sociais associada à televisão estatal chinesa CCTV, afirmou que os exercícios são uma resposta direta à recente aprovação, por parte de Washington, de um pacote de vendas de armas a Taiwan no valor de 11,1 mil milhões de dólares (9,43 mil milhões de euros).

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Segundo Fu, ao contrário de pacotes anteriores, este inclui sistemas ofensivos e capacidades de comando e redes táticas, o que justifica, na ótica de Pequim, uma resposta “razoável e legal” para proteger a soberania da China.

As declarações coincidem com o início das manobras militares chinesas, que decorrem entre hoje e terça-feira em torno do Estreito de Taiwan, e com a promulgação da Lei de Autorização de Defesa para 2026 nos EUA, que prevê novos mecanismos de apoio militar à ilha.

Taiwan é autogovernada desde 1949, mas a China considera a ilha uma “parte inalienável” do seu território e não descarta o uso da força para alcançar o que descreve como ‘reunificação’. O Governo de Taipé rejeita essa posição e insiste que apenas os 23 milhões de habitantes podem decidir o futuro político da ilha.

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