A Igreja Católica pretende criar mecanismos de proteção das suas instituições face a tentativas de instrumentalização por grupos racistas e neonazis. A decisão surge depois de vários episódios recentes envolvendo organizações de extrema-direita em Portugal, segundo avançou o ‘Correio da Manhã’ na edição desta quinta-feira.
O caso mais recente ocorreu na paróquia de Santa Maria de Silva Escura, no arciprestado da Maia. A paróquia recebeu um pedido para utilizar o salão paroquial na noite de 8 para 9 de novembro, alegadamente para a realização de um concerto de rock. O pedido foi aceite, como habitualmente acontece com associações e entidades locais.
No entanto, só após críticas nas redes sociais a Igreja se apercebeu de que o evento era um festival do grupo neonazi Blood&Honour. De acordo com o jornal diário, a diocese do Porto lamentou “profundamente” o sucedido, sublinhando em comunicado que “tanto a paróquia como a diocese desconheciam em absoluto a ideologia neonazi dos promotores do evento”.
Outros incidentes e investigação policial
Na semana anterior, o Colégio Luso-Francês do Porto já tinha cancelado o congresso do grupo supremacista branco Reconquista, que estava agendado para o Auditório Francisco de Assis. A instituição decidiu suspender o evento ao perceber que se tratava de uma iniciativa organizada por uma estrutura racista e xenófoba.
Segundo o ‘Correio da Manhã’, também as autoridades civis estão em alerta para atividades deste tipo, sobretudo no norte do país. A Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária mantém sob investigação vários grupos suspeitos da prática de crimes de ódio e de promoverem ideologias extremistas.














