Especial Eleições Benfica: vice-presidente da lista de Martim Mayer explica o projeto ‘Benfica mil milhões’

João Frederico Franco é a escolha do candidato para vice-presidente Área Económica e Financeira do clube lisboeta e explicou à ‘Executive Digest’ como pretende valorizar as contas do Benfica para um patamar “alcançável” de pelo menos mil milhões de euros – quase sete vezes mais do atual valor em bolsa

Francisco Laranjeira

Martim Mayer, candidato pela Lista B às eleições deste sábado do Benfica, tem um projeto ambicioso para o clube da Luz, caso mereça a confiança dos sócios no ato eleitoral para repetir os passos do avô Duarte Borges Coutinho, presidente do Benfica entre 1969 e 1977, e um dos mais vitoriosos da história do clube.

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João Frederico Franco é a escolha do candidato para vice-presidente Área Económica e Financeira do clube lisboeta e explicou à ‘Executive Digest’ como pretende valorizar as contas do Benfica para um patamar “alcançável” de pelo menos mil milhões de euros – quase sete vezes mais do atual valor em bolsa.

1º O Benfica “deve valer mil milhões” em bolsa e não “150 milhões de euros”. Como se propõe atingir esta meta durante a sua eventual presidência?

O objetivo de valorizar o Benfica para um patamar de mil milhões de euros em bolsa é ambicioso, mas perfeitamente alcançável. Para isso, é fundamental que o SLB mantenha o controlo efetivo da Benfica SAD e continue a deter 100% da SGPS. Atualmente, a capitalização bolsista da Benfica SAD ronda os €143 milhões, sendo que o SLB detém, direta e indiretamente, 63,65%.

Um aumento de capital na Benfica SAD, com a contribuição da SGPS desenhado para que a posição final do Grupo SLB suba de 63,65% para 67,00%, aliado a entrada de dois ou três investidores estratégicos com participações qualificadas de longo prazo (entre 5% a 10% cada um), permite apontar para uma capitalização bolsista muito acima do que se encontra ao dia de hoje.

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Esta operação visa a aplicação do capital em ativos produtivos, o que projeta um substancial aumento dos resultados (“earnings”) da SAD, impulsionando o preço das ações em bolsa e uma correspondente valorização da Benfica SAD para um valor perto dos mil milhões de euros.”

2º A equipa financeira que o acompanha neste projeto terá peso durante o seu mandato. Quem são e que projeto trazem para resolver a falta de equilíbrio que apontou do ponto de vista financeiro ao clube da Luz?

A nossa equipa financeira é liderada por mim que, para além de ter mais de 25 anos de experiência em banca de investimento, acompanhei profissionalmente muitas das soluções que o SLB e a Benfica SAD estruturaram desde 2002.

O nosso compromisso é devolver ao Benfica equilíbrio, transparência e crescimento sustentável, para que cada vitória em campo tenha reflexo no valor da marca e no património do clube.

Queremos um Benfica desportivamente vitorioso, mas também financeiramente exemplar e respeitado nos mercados internacionais pois a dimensão do Benfica e a nossa proposta Benfica Global (ver programa em www.benficanosangue.pt) irá exigir trabalhar em parceria com a banca em diversos pontos do Mundo. Temos de estar preparados para isso e o Benfica pela sua dimensão tem todas as condições para reportar financeiramente de acordo com os mais altos padrões mundiais.

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3º Sublinhou a necessidade de reduzir despesas em 20%, 40 M€. No entanto, isso parece contradizer o que o projeto de títulos que preconiza. Como pretende encontrar o equilíbrio?

À primeira vista, reduzir 20% da despesa pode parecer incompatível com o objetivo de ganhar títulos. Mas, na realidade, trata-se de gastar menos mas melhor face ao nível das Receitas atuais.

O que proponho é uma reorganização inteligente dos recursos, centrada na eficiência, no mérito e na criação de valor.

O Benfica, hoje, tem uma estrutura de custos que cresceu sem proporcional aumento dos Proveitos e da produtividade desportiva.

Há desperdício, sobreposição de funções e contratos que não estão alinhados com a performance.

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O nosso compromisso é repor o equilíbrio entre investimento e resultado. É por isso possível apresentar no Património 3 evoluções significativas nesta vertente do clube: o aumento do estádio da Luz em 15 mil lugares, a construção do Benfica Campus das Modalidades e a atualização e expansão do Seixal. São 3 projetos que dão prioridade à verdadeira prioridade do Clube: Os Sócios e os Atletas.

No futebol profissional, como já foi explicado por Martim Mayer e Andries Jonker na sua apresentação, depois de equilibrados financeiramente, iremos poder contrariar as vendas precoces, as compras excessivas e o desequilíbrio orçamental. Temos índices de performance nestas áreas muito piores que os nossos rivais e vamos corrigir isso!

Tem faltado visão e estratégia de médio prazo e isso tem custado muito dinheiro ao Benfica. Incluindo indemnizações. A clarificação de responsabilidades e de cadências de decisão e uma plena coordenação da estrutura do futebol irá apontar para um objetivo: 4 a 6 jogadores titulares da equipa A por época. Quer isto dizer que aplicaremos melhor os fundos necessários quando contratamos fora para as posições onde temos lacunas, apenas depois de apostar efetivamente no talento que emerge da nossa formação. Isso irá permitir-nos gastar melhor.

Também nas modalidades manteremos e faremos investimento mas mudando drasticamente as políticas de contratação para os escalões sénior. Juntamente com a criação de uma infraestrutura que as modalidades já mereciam: O Benfica Campus das Modalidades.

4º Que comentário lhe merece os mais de 20% de ações do Benfica que estão atualmente ‘em dúvida’ sobre a propriedade ou possível mudanças de mãos?

A Benfica SAD é uma empresa cotada em bolsa, o que torna perfeitamente normal a existência de um free-floating de ações que possam transitar entre investidores. Ainda assim, o Benfica tem de ser um exemplo de transparência no futebol português. Note que é possível acompanhar este assunto de outra forma. Não há duvidas que o Benfica tem a obrigação de se posicionar sempre como comprador de qualquer posição qualificada da Benfica SAD que esteja para ser transacionada. Connosco iremos assegurar isso.

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Além disto, devo dizer que a nossa prioridade é acabar com dúvidas e garantir que quem detém ações do Benfica o faz de forma legal, transparente e com o interesse do clube em primeiro lugar. Ao longo da minha carreira em banca de investimento a monitorização de ações em bolsa e a definição e implementação de uma estratégia para essa ação é algo que fiz centenas de vezes e que domino bem. Não tem havido consistência por parte da administração da SAD neste campo e, embora tenhamos perdido tempo, iremos agora agarrar o assunto e executar este plano em favor da evolução do valor da Benfica SAD. Durante o nosso mandato, se formos eleitos, será prioridade:

1. Garantir estabilidade e independência do clube

2. Reforçar o modelo de governance da SAD

3. Esclarecer juridicamente a titularidade de todas as ações

Esta é a nossa proposta.

5º Como categorizaria a gestão financeira de Rui Costa neste mandato?

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Deixe-me responder-lhe com factos:

Resultados operacionais brutos no mandato: €-118 milhões
Resultados líquidos no mandato: €-45 milhões
Variação de Capitais Próprios no mandato: €-45 milhões, tendo atingido um mínimo de €-79 milhões
Variação do Passivo no mandato: €95 milhões
Variação do ativo: €70 milhões.

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