O descarrilamento do elevador da Glória fez 23 feridos, sendo que seis deles continuam nos cuidados intensivos e todos os feridos ligeiros já tiveram alta. Quanto às vítimas mortais, há registo de 16 e, de acordo com os dados oficiais, cinco são portuguesas: o guarda-freios do ascensor e quatro trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia.
Em conferência de imprensa esta quinta-feira, o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde, Álvaro Almeida, adiantou que vários hospitais do Serviço Nacional de Saúde receberam 23 vítimas do descarrilamento, 13 feridos ligeiros e 10 graves.
“Infelizmente, um dos feridos graves acabou por falecer” e ainda não foi identificado. Os restantes seis encontram-se em cuidados intensivos, enquanto os outros três apresentam uma “evolução mais favorável”, disse o CEO do SNS.
Segundo Álvaro Almeida, todos os feridos ligeiros já tiveram alta e são de várias nacionalidades, como espanhola, portuguesa, israelita, brasileira, italiana e francesa.
Em relação aos feridos graves, um ainda não foi identificado e os restantes são três de nacionalidade portuguesa, um de nacionalidade alemã, um sul-coreano, uma suíça, uma cabo-verdiana e uma marroquina, referiu o diretor executivo do SNS.
“O SNS respondeu como era suposto, num momento difícil, graças à grande disponibilidade dos profissionais de saúde”, que responderam “imediatamente à chamada”, salientou Álvaro Almeida.
Fonte do Hospital de Santa Maria, que recebeu um total de oito feridos do acidente, adiantou à agência Lusa que uma criança, que ficou ferida sem gravidade, teve alta ao final da tarde desta quinta-feira, ficando ao cuidado de familiares.
Por seu turno, o diretor da Polícia Judiciária (PJ) adiantou — também na conferência de imprensa desta quinta-feira — que “com grande probabilidade” haja entre as vítimas mortais do acidente com o elevador da Glória um cidadão alemão, dois canadianos, um ucraniano e um americano.
Segundo o diretor da PJ, Luís Neves, a informação recolhida em boletins de alojamento e também junto de familiares que contactaram as autoridades através da linha criada para o efeito permite atribuir “com grande probabilidade” a identificação e nacionalidades a cinco das vítimas mortais.
Depois de o Ministério Público ter adiantado que já estão devidamente identificadas oito vítimas mortais confirmadas, Luís Neves referiu que falta ainda determinar a identidade de três das vítimas mortais.
Na conferência de imprensa que decorreu na sede da PJ em Lisboa, o diretor do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), Francisco Corte Real, adiantou ainda que já foram concluídas as 16 autópsias às vítimas mortais do acidente.
Segundo Francisco Corte Real, estiveram envolvidos no trabalho de autópsia e identificação dos corpos 37 elementos do INMLCF, num “trabalho contínuo” até à tarde desta quinta-feira, quando foi concluída a última autópsia.
O diretor do INMLCF explicou que nos casos em que foi possível recorrer a impressões digitais com base em informação disponível a identificação foi mais rápida, mas noutros casos será necessária a colaboração de familiares, residentes noutros países, para obter o perfil genético ou registos dentários que permitam a identificação, o que poderá levar mais tempo.
Sobre os corpos já identificados adiantou estarem em condições de ser libertados e nos restantes casos em que a identificação ainda não está completamente fechada Francisco Corte Real disse que o instituto irá trabalhar durante esta noite para concluir os perfis genéticos que ainda faltam.
Sobre a linha telefónica dedicada criada pela PJ para este caso, Luís Neves disse que esta se revelou muito importante na recolha de informação útil à identificação das vítimas, tendo recebido cerca de 200 chamadas nas primeiras horas, permitindo ainda dar informação a familiares das vítimas e fazer o respetivo encaminhamento.
GPIAFF garante que histórico de manutenção será analisado exaustivamente
O historial de manutenção e supervisão do elevador da Glória será analisado exaustivamente pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que vai contar com ajuda externa na sua investigação.
Em conferência de imprensa na sede da PJ, em Lisboa, o coordenador do GPIAAF, Nelson Oliveira, disse que será analisado não só o projeto inicial do ascensor, como a sua posterior eletrificação e “sucessivas melhorias e renovações“, mas sobretudo o historial de manutenção e fiscalização.
“Há muito historial, quer do funcionamento, mas principalmente de qual é o regime de manutenção a que está sujeito, o regime de supervisão, de fiscalização por entidades externas, é tudo isso que iremos olhar, registo de manutenção, portanto será feita uma análise perfeitamente exaustiva, isso posso garantir a toda a documentação que seja relevante”, disse.
Nesta análise inclui-se também “a formação das pessoas que fazem as intervenções, os contratos que existem de prestação de serviços com os prestadores externos à Carris”.
Gabinete de investigação prevê publicar relatório preliminar sobre o desastre em 45 dias
Nelson Oliveira recusou comprometer-se com um prazo final para a conclusão da investigação, reiterando que apenas pode prometer um relatório preliminar no prazo de 45 dias e que o tempo de elaboração do relatório final “dependerá dos meios com que o GPIAAF venha a ser dotado, entretanto”, depois de ter sido questionado sobre que resposta tinha existido ao pedido para contratar mais um investigador.
“O GPIAAF publicará um relatório preliminar previsivelmente no prazo de 45 dias, dando conta dos trabalhos de investigação realizados e das conclusões que, nessa data, estejam disponíveis”, adiantou o diretor do gabinete.
“Deve ficar também claro que a admissão de um ou dois investigadores não resolve as situações de imediato, porque um investigador para ser formado necessita de dois anos. Mas eu não me queria alongar sobre esta matéria, este não é o momento nem o local. Nós estamos num dia de luto nacional e municipal devido a este trágico evento”, disse.
“Mas queria, no entanto, deixar esta convicção de que seguramente o Estado português, através do Governo, irá dotar muito brevemente o GPIAAF com os meios de que necessita, porque o respeito às vítimas que houve este incidente assim o exige”, acrescentou Nelson Oliveira.
Ainda questionado quanto à auditoria externa sobre o acidente pedida à Carris pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, o coordenador do GPIAAF disse que esse pedido era uma novidade para si, mas sublinhou que as investigações do Ministério Público e do gabinete têm prioridade e prevalência sobre quaisquer outras que possam vir a existir.
“Sendo certo que o GPIAAF, no que lhe diz respeito, em qualquer momento da investigação, se identificar algum aspeto que entenda que constitui um risco imediato, nesse mesmo momento informará as autoridades competentes para que tomem as devidas precauções ou tomem as devidas ações, sendo que, tanto quando sei, foi já tomada uma medida cautelar que parece avisada, que é ter parado os outros ascensores até ser feita uma peritagem por uma entidade independente”, acrescentou Nelson Oliveira.
Seguradoras querem “chegar o mais rapidamente possível” a quem precisa
O presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), José Galamba de Oliveira, disse esta quinta-feira que as seguradoras envolvidas no pagamento de indemnizações relativas ao descarrilamento do elevador da Glória querem “chegar o mais rapidamente possível” a quem precisa.
Em declarações à Lusa, o responsável explicou que estarão vários tipos de seguros envolvidos na ajuda e compensações às vítimas, começando pelo “seguro principal, que é o seguro da Carris, que está colocado junto da seguradora Fidelidade”.
Segundo o dirigente associativo, em primeiro lugar, “e se calhar aquele que é mais importante, é o da responsabilidade civil perante os passageiros”, sendo um “seguro de transporte coletivo de passageiros”, que tem, de acordo com a lei, “um valor mínimo”.
O presidente da APS disse que este seguro contratado pela Carris está acima desse valor mínimo, que são cerca de sete milhões de euros. “É obviamente um seguro que seguramente vai ser acionado para indemnizar as famílias das vítimas e os feridos”, explicou.
“Depois há também seguros patrimoniais no sentido da parte circulante, das próprias máquinas” que também são “do seguro da Carris”, explicou.
Paralelamente, há seguros de outras companhias, “por exemplo, de acidentes de trabalho, de quem estivesse a viajar ali, por exemplo, a regressar na casa do seu emprego”, como os funcionários da Santa Casa da Misericórdia que estão entre as vítimas, que “estariam a regressar a casa e, portanto, aí são seguros de empresas que poderão ser, e seguramente serão acionados”, disse.




