Médio Oriente: Exército líbanês e Hezbollah pedem a população que adie regresso até início do cessar-fogo

O exército libanês e o movimento pró-iraniano Hezbollah apelaram hoje à população de vilas e cidades do sul do país visadas por Israel para adiarem o regresso a estas até ao cessar-fogo entrar em vigor. 

Executive Digest com Lusa

O exército libanês e o movimento pró-iraniano Hezbollah apelaram hoje à população de vilas e cidades do sul do país visadas por Israel para adiarem o regresso a estas até ao cessar-fogo entrar em vigor. 


Em comunicado após o anúncio do cessar-fogo de 10 dias, o comando do exército libanês pediu ainda aos residentes que seguissem as instruções dos soldados destacados no sul, onde as tropas israelitas atravessaram a fronteira, e que estivessem atentos a munições não detonadas e “objetos suspeitos”. 


O cessar-fogo com Israel tem início marcado para a meia-noite, hora local (22:00 de Lisboa). 


Noutro comunicado, o Hezbollah apela aos deslocados para que “tenham paciência e evitem viajar para as áreas visadas no sul, no Vale do Bekaa e nos subúrbios do sul de Beirute até que a situação esteja totalmente esclarecida”, considerando Israel “um inimigo traiçoeiro, habituado a violar compromissos e acordos”. 


O Comité Islâmico de Saúde, afiliado no Hezbollah, aconselhou ainda a população a esperar “até ter a certeza de que um cessar-fogo foi oficialmente anunciado e entrou em vigor”, instando os deslocados a “esperarem até à manhã seguinte” antes de viajarem. 

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A atual escalada entre Israel e o Líbano começou a 02 de março, quando o Hezbollah lançou rockets contra o norte de Israel, rompendo uma trégua anterior e levando este país a responder imediatamente com ataques aéreos contra o território libanês, incluindo Beirute. 


Os combates intensificaram-se ao longo de março com repetidos ataques do Hezbollah com rockets e drones, ataques aéreos e uma incursão terrestre israelita no sul do Líbano, deslocamentos em larga escala e baixas em ambos os lados. 


Israel realizou ataques maciços contra o território libanês a 08 de abril, já depois de ser acordada uma trégua de duas semanas no conflito entre Irão e Estados Unidos. 

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O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, saudou hoje o cessar-fogo de dez dias no Líbano como “uma oportunidade para um acordo de paz histórico”, mas indicou que as suas tropas vão manter posições no país vizinho durante a trégua.  


Numa declaração por vídeo, divulgada pelo seu gabinete depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado um cessar-fogo, Netanyahu indicou que as forças israelitas “permanecerão no sul do Líbano, dentro de uma faixa fronteiriça de dez quilómetros de profundidade”.  


Na sua declaração, o líder israelita reiterou o objetivo de desarmar o grupo xiita libanês Hezbollah, que Donald Trump disse estar igualmente vinculado à trégua de dez dias, com início a partir das 22:00 de hoje (hora de Lisboa).  


Trump declarou hoje que o cessar-fogo acordado entre o Líbano e Israel abrangerá o movimento xiita libanês Hezbollah, afirmando-se “confiante” de que o grupo aliado do Irão respeitará a trégua.  


Pouco antes destas declarações de Trump à comunicação social, o Hezbollah anunciou que respeitará o cessar-fogo, se Israel suspender totalmente as hostilidades.  

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Segundo os termos acordados pelos dois países, a trégua tem uma duração prevista de 10 dias, durante os quais o Líbano e Israel deverão proceder a negociações de um plano mais pormenorizado para alcançar uma paz duradoura.  


A Organização Internacional para as Migrações (OIM) das Nações Unidas saudou o cessar-fogo de dez dias anunciado hoje para o Líbano e instou todas as partes a respeitá-lo, recordando o êxodo provocado por semanas de hostilidades.  


“Um cessar-fogo é o primeiro passo, mas mantê-lo é essencial para salvar vidas. (…) Mesmo com um cessar-fogo, a crise está longe de terminar”, afirmou a agência em comunicado.  


“Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas por este conflito, com mais de 141 mil atualmente alojadas em mais de 700 centros coletivos em todo o país”, afirmou a agência em comunicado.  


O custo humano “tem sido devastador”, com mais de 2 mil mortes, ataques a instalações e profissionais de saúde e a destruição de estradas, pontes, casas e outras infraestruturas críticas, acrescentou a OIM.  


  


PDF (HB/ANC) //  RBF 

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