África sofreu seis choques externos em 10 anos e multilateralismo é a solução – ministros

Os ministros africanos das Finanças defenderam hoje, num encontro no âmbito dos Encontros da Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), que o multilateralismo é a solução para os “seis choques externos nos últimos 10 anos”.

Executive Digest com Lusa

Os ministros africanos das Finanças defenderam hoje, num encontro no âmbito dos Encontros da Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), que o multilateralismo é a solução para os “seis choques externos nos últimos 10 anos”.


“Durante os últimos dez anos, enfrentámos seis choques externos, e ainda no ano passado estávamos aqui a debater a crise das tarifas alfandegárias, e hoje debatemos a crise no Médio Oriente”, disse o ministro das Finanças da República Centro-Africana, apontando que, “desde o início do conflito no Médio Oriente, os preços aumentaram 41%, o custo do transporte marítimo subiu 21% e o prémio de risco sobre a segurança marítima subiu nove vezes, num contexto em que houve 31 moedas que se depreciaram”.


A crise no Médio Oriente e os efeitos em África ocuparam boa parte do debate que decorreu esta tarde na sede do FMI, em Washington, onde decorrem os Encontros da Primavera, organizados em conjunto com o Banco Mundial.


A RCA exporta 67% da produção para os Emirados Árabes Unidos e enfrenta, por isso, “um cenário muito desafiante”, tentando equilibrar as pressões com reformas financeiras e económicas.


“O que estamos a fazer é consolidar o espaço orçamental e trabalhar numa lei que vai acabar com os subsídios e as isenções fiscais, e estamos a trabalhar muito na questão da sustentabilidade da dívida”, disse o governante, desafiando o FMI a “envolver-se mais nas questões sobre a resposta que deve ser dada a esta questão da dívida pública” e dos efeitos na governação económica.

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Na mesma linha, a governadora do banco central do Lesoto, Retselisitsoe Adelaide Matlanyane, afirmou: “As crises sobrepõem-se e mal temos tempo para respirar, trazem disrupções e em cima disso ainda sofremos com os choques climáticos, por isso temos de repensar a política económica, o multilateralismo é a chave para ultrapassarmos os desafios”.


Devido à incerteza dos acontecimentos, o FMI criou dois cenários, um que é o de referência, e no qual se prevê um aperto nas condições de financiamento durante o resto do ano e um crescimento médio de 4,3%, e um outro, mais grave, que parte do princípio que o conflito no Médio Oriente se prolonga até 2027.


“No cenário mais severo, os preços do petróleo mantêm-se elevados em 2026 e 2027 e as restrições no financiamento permanecem até ao próximo ano, o que nos leva a prever que, nesse contexto, a África subsaariana cresceria apenas 0,6% e a inflação subiria 2,4%”, disse o responsável.

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Para além das medidas imediatas, como a construção de resiliência e o apoio direto às famílias mais vulneráveis, o Fundo defende também reformas estruturais que apoiem a estabilidade macroeconómica, políticas orçamentais e monetárias prudentes.


O FMI recomenda ainda mais integração regional e implementação do Acordo de Comércio Livre (AfCFTA, na sigla em inglês), para além de um aprofundamento da digitalização e do aprofundamento dos mercados financeiros domésticos.


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