Carris garante que inspeções ao Elevador da Glória estavam em dia “e sem qualquer falha”

As declarações foram feitas numa conferência de imprensa convocada após o descarrilamento do Elevador da Glória, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos na tarde de quarta-feira, em Lisboa.

Pedro Gonçalves

O presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas, garantiu esta quinta-feira que os elevadores e ascensores da empresa municipal “nunca estiveram sem manutenção” e que as inspeções periódicas “se mantiveram sem qualquer falha”. As declarações foram feitas em conferência de imprensa, convocada na sequência do descarrilamento do Elevador da Glória, ocorrido na quarta-feira em Lisboa, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos.

Pedro Bogas começou por lamentar as vítimas da tragédia, sublinhando a “eficiência e a resposta do dispositivo de apoio que permitiu salvar vidas”. O responsável agradeceu a atuação rápida das equipas de emergência e assegurou que a Carris está a prestar apoio às vítimas e famílias.

Confrontado sobre a fiabilidade da manutenção, Bogas esclareceu que o contrato em vigor foi assinado a 20 de agosto com a empresa Main Maintenance Engineering (MAIN), que assegura o serviço desde 2019. “As inspeções periódicas mantiveram-se sem qualquer falha”, afirmou, reforçando que “do lado da Carris avaliámos e parece-nos que foram bem efetuadas”.

O presidente recordou ainda que, em 2022, a MAIN voltou a vencer concurso público para assegurar os trabalhos. Este ano, em 2025, foi lançado novo procedimento, com atualização do preço-base de 995 mil euros para 1,2 milhões de euros. “Mesmo assim não foram apresentadas propostas abaixo do preço base e o concurso ficou deserto”, explicou.

Face a esse impasse, Bogas revelou que foi celebrado um contrato por ajuste direto com a MAIN, válido por cinco meses, para garantir que os equipamentos não ficavam sem manutenção. “Esse tempo permitirá lançar um novo concurso público, que será aberto já neste mês”, garantiu.

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Para apurar responsabilidades, a Carris abriu um inquérito interno que contará com o apoio de um consultor externo. Todos os ascensores e elevadores sob gestão da empresa foram entretanto suspensos, até serem submetidos a novas inspeções por entidades independentes.

O presidente reafirmou que as conclusões sobre a causa do acidente cabem a peritos e técnicos credenciados. “Isso será apurado no âmbito do inquérito. Do nosso lado, avaliámos e parece-nos que as inspeções foram bem feitas”, declarou.

Bogas destacou ainda que a Carris tem vindo a aumentar o investimento em manutenção não apenas nos elevadores e ascensores históricos, mas também nos elétricos e autocarros. “Esse investimento está à vista com os números que acabei de indicar”, frisou.

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Segundo o responsável, os três contratos celebrados com a MAIN — em 2019, 2022 e o de agosto de 2025 — registaram valores crescentes, refletindo o reforço do orçamento para a manutenção.

O descarrilamento do Elevador da Glória aconteceu na quarta-feira ao final da tarde, a meio do percurso entre os Restauradores e o Jardim de São Pedro de Alcântara. O acidente provocou 16 mortos — 15 confirmados no local e um em hospital — e mais de 20 feridos, incluindo turistas de várias nacionalidades.

Na sequência da tragédia, o Governo decretou um dia de luto nacional.

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