Presidente de Taiwan critica “culto a ditadores” após desfile militar em Pequim

Nensagem de William Lai foi publicada no dia em que o líder chinês, Xi Jinping, assista a uma parada militar em Pequim, para assinalar o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico

Executive Digest com Lusa

O Presidente de Taiwan, William Lai Ching-te, criticou hoje o “culto a ditadores” e as redes de polícia secreta em regimes autoritários, coincidindo com um desfile militar realizado em Pequim.

“O fascismo abrange o nacionalismo extremo, a procura de um grande rejuvenescimento nacional ilusório, o controlo interno rígido do discurso, a repressão da diversidade social, a criação de redes de polícia secreta e o culto descarado a ditadores”, escreveu William Lai, na rede social Facebook.

O Presidente taiwanês recordou que foi o general Hsu Yung-chang, dos republicanos do Kuomintang (KMT), quem assinou a rendição do Japão em 1945 em nome da China, sublinhando que, desde então, “os antigos países do Eixo tornaram-se democracias”.

Em 1949, com a vitória das forças comunistas de Mao Zedong e a proclamação da República Popular da China, o Governo da República da China, liderado por Chiang Kai-shek, do KMT, refugiou-se na ilha de Taiwan, onde continua a funcionar com autonomia até hoje.

A mensagem de William Lai foi publicada no dia em que o líder chinês, Xi Jinping, assista a uma parada militar em Pequim, para assinalar o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.

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Lai participou hoje numa cerimónia no Santuário Nacional dos Mártires, em Taipé, para homenagear os soldados que morreram em combate, incluindo os que lutaram contra o Japão e os comunistas, informou a agência de notícias taiwanesa CNA.

Taiwan tinha desaconselhado os seus veteranos de guerra a participarem no desfile, que contou com a presença dos líderes da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un.

Ainda assim, entre os convidados estiveram a ex-presidente do KMT, Hung Hsiu-chu, que na terça-feira defendeu a responsabilidade histórica do partido na resistência contra o Japão.

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Pequim considera Taiwan uma “parte inalienável” do território chinês e não descarta o uso da força para anexar a ilha, um dos objetivos de longo prazo de Xi após ter assumido o poder em 2012.

A China intensificou uma campanha de pressão diplomática e militar contra Taiwan nos últimos anos, realizando regularmente exercícios militares perto da ilha.

Antes do início da parada, Xi Jinping afirmou que “o povo chinês é um povo que não teme a violência, é autossuficiente e forte”.

“O rejuvenescimento da nação chinesa é imparável e a nobre causa da paz e do desenvolvimento da humanidade triunfará certamente”, sublinhou.

Durante o desfile, o Presidente norte-americano, Donald Trump, questionou, nas redes sociais, se Xi reconheceria o contributo dos soldados dos EUA no conflito, e ironizou: “Transmita os meus calorosos cumprimentos a Vladimir Putin e Kim Jong-un, enquanto conspiram contra os Estados Unidos da América”.

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Na sua intervenção, Xi não mencionou os Estados Unidos, mas agradeceu o apoio dos países estrangeiros que ajudaram a China na resistência contra a invasão japonesa.

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