Equipas de cuidados paliativos enfrentam condições de trabalho indignas, acusa Fnam

Posição da federação sindical surge na sequência de uma carta aberta de profissionais das equipas comunitárias de suporte de cuidados paliativos (ECSCP), que garantem cuidados no domicílio a doentes em fase avançada de doença

Executive Digest com Lusa

A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) alertou hoje para a falta de reconhecimento das equipas de cuidados paliativos ao domicílio, alegando que enfrentam condições de trabalho indignas e desigualdade perante outros profissionais de saúde.

A posição da federação sindical surge na sequência de uma carta aberta de profissionais das equipas comunitárias de suporte de cuidados paliativos (ECSCP), que garantem cuidados no domicílio a doentes em fase avançada de doença, enviada ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e à ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

O documento alerta que se tem verificado a saída de médicos e enfermeiros destas equipas “principalmente devido a condições de trabalho inferiores às de outras unidades dos cuidados de saúde primários”.

Segundo a carta aberta, isto acontece porque as ECSCP ainda não foram reconhecidas como Unidades Funcionais, o que impede a contratualização e a atribuição de incentivos aos profissionais que as integram.

“O problema vai além da remuneração, afetando a valorização e estabilidade destes profissionais”, salientam os subscritores do documento, que referem que, em 2024, o Governo tomou iniciativas para valorizar e incentivar os profissionais de saúde, mas não contemplando as ECSCP.

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Perante isso, existe atualmente uma “assimetria remuneratória muito significativa” entre profissionais que integram estas equipas e os colegas das Unidades de Saúde Familiares, lamenta ainda a carta aberta.

Em comunicado, a Fnam considerou que a “situação é grave”, tendo em conta que as equipas continuam sem reconhecimento como unidades funcionais dos cuidados de saúde primários, “apesar de mais de uma década de provas dadas e de sucessivas recomendações parlamentares”.

“Esta omissão arrasta condições de trabalho indignas e desigualdades face a outras unidades do Serviço Nacional de Saúde”, realçou a estrutura sindical, para quem o resultado tem sido a “fuga de médicos e outros profissionais destas equipas, esvaziadas por falta de valorização profissional e ausência de estabilidade”.

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Para inverter essa situação, a Fnam exigiu o reconhecimento imediato das ECSCP como unidades funcionais dos cuidados de saúde primários, com contratualização própria, o reforço urgente de recursos humanos e materiais, a valorização profissional e progressão na carreira para todos os membros das equipas e o cumprimento integral da resolução Assembleia da República que recomendou ao Governo o reforço da resposta em cuidados paliativos.

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