Incêndios: área ardida praticamente duplica em duas semanas e torna 2025 o segundo pior ano desde os fatídicos incêndios de Pedrógão

Os piores anos foram 2003, com quase 400 mil hectares em todo o território, e 2005, com a perda de mais de 320 mil hectares

Revista de Imprensa

Este ano, com mais de 62 mil hectares ardidos, é já o segundo pior desde 2017, com os fatídicos incêndios de Pedrógão Grande, com 145.508 hectares, revelou esta quarta-feira o ‘Diário de Notícias’. De acordo com dados do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), até 31 de julho – ou seja, sem os incêndios de Trancoso, Tabuaço, Vila Real e Covilhã -, a área ardida correspondeu a 33.324 hectares: em menos de 15 dias, praticamente duplicou para 62.644 hectares. Os números colocam 2025 muito perto de 2022, até então o pior ano após-Pedrógão.

Os piores anos foram 2003, com quase 400 mil hectares em todo o território, e 2005, com a perda de mais de 320 mil hectares.



Para o presidente da Liga de Bombeiros Portugueses (LBP), António Nunes, a resposta das entidades públicas tem sido manifestamente insuficiente: desde 2017, o ICNF e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) “têm dados meteorológicos e climatológicos muito precisos”. Assim, “há um dado novo no planeamento que não existia até 2017”. No entanto, “quando o Governo cria uma situação de alerta, esperava-se que a ANEPC tivesse um planeamento diferente”.

O mapa dos incêndios em Portugal tem uma fronteira: a autoestrada A25, de Aveiro a Vilar Formoso. “Isto quer dizer que após ter ardido muito na zona de Aveiro e de Porto-Baião, no ano passado, as áreas deste ano com piores resultados do ponto de vista da prevenção são aquelas onde há maior mancha florestal e que estão a arder”. Assim, criticou António Nunes, “o planeamento devia ter sido feito pelo pré-posicionamento de meios” em bases relativamente próximas e “não na base de Castelo Branco ou de Almeirim, que estão a três ou quatro horas do combate”.

“Entendemos que a Proteção Civil é responsável por tudo isto, porque os bombeiros não têm responsabilidade direta. Os bombeiros são chamados para onde a Proteção Civil entende que devem ser chamados e colocados onde entendem que os devem colocar. Não podemos permitir que as populações digam que não têm bombeiros ou que estão sozinhas e que os bombeiros não estão lá. Esta crítica nós não aceitamos, porque isto não depende dos bombeiros”, acusou António Nunes. “É inaceitável que um país do tamanho de Portugal tenha incêndios de 12 dias em Ponte da Barca ou de uma semana em Trancoso. Se a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil considera que está tudo bem, vão existir os mesmos problemas. Mas se os três milhares de hectares de floresta arderem, não temos fogos florestais.

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