Surgiram novos dados no escândalo sexual que tem Jeffrey Epstein no centro de uma enorme teia de crimes. Uma mulher que se apresenta como vítima do financista norte-americano diz que foi traficada sexualmente quando ainda era adolescente e entregue ao famoso empresário egípcio Mohamed Al-Fayed.
A alegação foi revelada numa entrevista concedida ao jornal britânico The Sunday Times e surge como um possível primeiro elo documentado entre dois dos casos de abuso sexual mais polémicos associados a figuras poderosas nas últimas décadas.
A mulher, identificada apenas pelo pseudónimo “Natalie”, afirma que foi abordada por um assistente de Epstein no verão de 1997, quando ainda era uma jovem modelo. Segundo o seu relato, foi-lhe sugerido um encontro com “uma pessoa muito influente”, proposta que viria mais tarde a revelar-se ligada ao antigo proprietário da luxuosa cadeia de armazéns Harrods. A jovem acabou por viajar até Saint Tropez, no sul de França, onde afirma ter sido abusada sexualmente a bordo de um iate pertencente ao empresário egípcio.
“Tenho a certeza absoluta de que era ele”, declarou Natalie ao jornal, explicando que reconheceu Al-Fayed após ver uma fotografia do empresário numa notícia publicada online em novembro do ano passado. “Lembro-me bem do rosto dele. Nós não esquecemos essas coisas”, afirmou, acrescentando que demorou vários anos até perceber que o que lhe aconteceu poderia enquadrar-se num caso de tráfico de seres humanos. Segundo a mulher, tinha apenas 17 anos quando foi apresentada a Epstein por alguém ligado ao mundo da moda e, a partir desse momento, passou a estar sob a influência do financista, que “sabia sempre onde ela estava”.
De acordo com o relato da alegada vítima, a agressão ocorreu no iate de Al-Fayed durante a estadia em Saint-Tropez. A mulher afirma que o empresário, que descreveu como “um homem muito mais velho”, terá dito que queria experimentar “coisas novas”. Natalie refere ainda que outra pessoa estava presente a bordo do iate e que identificou como sendo Salah Al Fayed. A jovem afirma que não pôde abandonar a embarcação até esta regressar ao porto.
As revelações agora feitas surgem num contexto em que novas investigações continuam a explorar as possíveis ligações entre Epstein e outras figuras influentes. O financista norte-americano foi acusado de organizar redes de exploração e tráfico sexual de menores e mulheres jovens mas, recorde-se, acabou por morrer numa prisão em Nova Iorque, em 2019, quando estava a aguardar julgamento por vários crimes de tráfico sexual.
Os documentos analisados no âmbito do caso Epstein indicam ainda a existência de pagamentos a empresas ligadas à Harrods Aviation, empresa associada ao império empresarial de Al-Fayed e responsável por serviços manutenção de aeronaves e operações em terminais privados. Segundo as informações divulgadas, também terão sido utilizados terminais privados nos aeroportos de Stansted e Luton, em Londres.
As autoridades britânicas estão agora a aprofundar a investigação. A polícia metropolitana de Londres, conhecida como Scotland Yard, intensificou as diligências relacionadas com alegados crimes cometidos por Al-Fayed, enquanto outras forças policiais britânicas analisam separadamente o possível uso de aeroportos londrinos por Epstein para atividades relacionadas com tráfico sexual.
As acusações contra Al-Fayed não são inéditas. Nos últimos anos surgiram várias denúncias de agressões sexuais atribuídas ao empresário, que morreu em 2023 aos 94 anos. Investigações jornalísticas anteriores já tinham revelado alegações de que o magnata escolhia pessoalmente algumas das suas vítimas e que uma rede de tráfico sexual poderia ter operado em torno de propriedades associadas ao empresário, incluindo o Hotel Ritz Paris e embarcações privadas ancoradas na Riviera francesa.
Entretanto, Natalie afirma estar disponível para colaborar com as autoridades britânicas caso seja necessário. “Eu estava definitivamente naquele barco e era definitivamente aquele homem”, afirmou, reiterando a convicção de que o empresário egípcio foi o responsável pelo abuso. As investigações continuam a tentar determinar se existiu efetivamente uma ligação operacional entre Epstein e Al-Fayed no alegado recrutamento e transporte de mulheres para exploração sexual.




