Ouro dispara e bancos centrais acumulam reservas de 5,3 biliões de euros após corrida histórica ao metal precioso

O ouro voltou a assumir um papel central nos mercados globais após um ano de máximos históricos e num contexto de expectativas voláteis quanto às taxas de juro internacionais.

André Manuel Mendes

O ouro voltou a assumir um papel central nos mercados globais após um ano de máximos históricos e num contexto de expectativas voláteis quanto às taxas de juro internacionais.

De acordo com uma análise da plataforma de investigação financeira BestBrokers, os bancos centrais continuam a ajustar as suas reservas do metal precioso, com alguns países a reforçar posições e outros a aproveitar os preços elevados para realizar ganhos.

Segundo dados do World Gold Council analisados pela empresa, os bancos centrais detêm atualmente 36.535,4 toneladas de ouro, avaliadas em cerca de 5,34 biliões de euros, tendo em conta os preços de mercado após a forte valorização registada em 2025. A evolução do preço do metal tem sido suficiente para que pequenas oscilações representem variações de milhares de milhões de euros no valor das reservas soberanas.

O relatório revela também que a procura por ouro continua a alargar-se entre as economias emergentes em 2026, depois de um ano de forte atividade em 2025. Em janeiro deste ano, o Uzbequistão destacou-se como o maior comprador, ao adquirir 8,7 toneladas, seguido da Malásia, com 3,4 toneladas. Outros países que reforçaram reservas incluem a República Checa, Indonésia, China, Sérvia, El Salvador, Singapura, Mongólia e Egito.

No sentido inverso, alguns bancos centrais começaram a reduzir posições. A Rússia liderou as vendas no início de 2026, com uma redução de 9,3 toneladas, seguida pela Bulgária, Cazaquistão e Quirguistão.

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O ano passado ficou marcado por uma atividade intensa de compra e venda de ouro por parte dos bancos centrais. A Polónia foi o maior comprador, ao reforçar as suas reservas em 102 toneladas. Seguiram-se o Cazaquistão (+57 toneladas), o Brasil (+42,8 toneladas), a China (+26,8 toneladas) e a Turquia (+25,8 toneladas).

Entre os países que optaram por vender ouro destacaram-se Singapura, que alienou 26,5 toneladas, a Rússia (6,22 toneladas) e a Alemanha (1,28 toneladas), refletindo estratégias distintas de gestão de reservas num contexto de preços recorde e crescente incerteza geopolítica.

Apesar destas movimentações, os Estados Unidos continuam a ser o maior detentor mundial de ouro, com 8.133,46 toneladas, seguidos pela Alemanha (3.350,25 toneladas). Itália e França completam o top quatro, com 2.451,84 toneladas e 2.437 toneladas, respetivamente.

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Quando analisadas em termos per capita, as maiores reservas pertencem à Suíça, com cerca de 115,45 gramas de ouro por habitante, seguida do Líbano (48,64 gramas), da Itália (41,61 gramas) e da Alemanha (40,05 gramas).

Para Alan Goldberg, analista de dados da BestBrokers, o ouro deverá continuar a desempenhar um papel relevante nas estratégias dos bancos centrais. “As economias emergentes deverão continuar a diversificar as suas reservas, enquanto os maiores detentores poderão reduzir ou reequilibrar posições face aos preços elevados. As tensões geopolíticas, as pressões inflacionistas e a volatilidade cambial deverão sustentar o estatuto do ouro como ativo de refúgio, ao mesmo tempo que os fluxos contínuos para ETFs podem amplificar oscilações de preços no curto prazo. No geral, a tendência aponta para uma abordagem mais ampla e estratégica às reservas de ouro, com os bancos centrais a utilizarem o metal não apenas como proteção contra a incerteza, mas também como instrumento-chave para gerir o risco das suas carteiras num ambiente económico global cada vez mais complexo.”

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