Famílias de reféns realizam hoje greve geral em Israel em protesto contra plano de Netanyahu de tomar Gaza

Governo israelita divulgou um comunicado onde expõe o plano de Netanyahu para “derrotar o Hamas”, que inclui ocupar a cidade de Gaza, sem esclarecer o que acontecerá com o resto do enclave

Executive Digest com Lusa
Agosto 17, 2025
8:30

Um grupo de familiares de reféns ainda detidos em Gaza convocou para este domingo uma greve geral em Israel para protestar contra a ofensiva israelita e o plano do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, de tomar a cidade de Gaza.

Numa conferência de imprensa realizada em Telavive, noticiada pela imprensa israelita, familiares condenaram o plano aprovado pelo gabinete de segurança israelita e que inclui a expansão da ofensiva e a tomada da cidade de Gaza (que abriga quase um milhão de pessoas), defendendo que resultará na morte dos 20 reféns ainda vivos.



“Este domingo, pararemos e diremos: ‘Chega, parem a guerra, devolvam os reféns’. Está nas nossas mãos”, disse Reut Recht-Edri, cujo filho Ido Edri foi morto pelo Hamas no festival de música Nova, segundo o jornal Times of Israel.

O líder da oposição israelita Yair Lapid apoiou a proposta numa mensagem na sua conta na X, afirmando que “o apelo das famílias dos reféns para o encerramento da economia é justificado e apropriado”.

Além disso, o líder de esquerda Yair Golan anunciou que o seu partido, o Partido Democrata, também se juntará à greve convocada pelas famílias.

“Apelo a todos os cidadãos de Israel, a todos aqueles que valorizam a vida e a garantia mútua, para que se juntem a nós e tomem as ruas para lutar”, escreveu Golan na sua conta nas redes sociais.

Golan acrescentou: “Não devemos continuar com a nossa vida quotidiana sem prestar atenção aos nossos irmãos e irmãs em Gaza. Não podemos permanecer em silêncio diante desta realidade”.

Recorde-se que, após cerca de dez horas de reunião, o Governo israelita divulgou um comunicado onde expõe o plano de Netanyahu para “derrotar o Hamas”, que inclui ocupar a cidade de Gaza, sem esclarecer o que acontecerá com o resto do enclave, apesar de o primeiro-ministro ter declarado a intenção de estender a operação a toda a Faixa antes de iniciar a sessão de debate com o gabinete.

“As Forças de Defesa de Israel (FDI) preparar-se-ão para assumir o controlo da cidade de Gaza, garantindo ao mesmo tempo a prestação de ajuda humanitária à população civil fora das zonas de combate”, especifica o comunicado.

O Governo também garante que o gabinete adotou “por maioria de votos” cinco princípios para terminar a guerra: desarmar o Hamas, o regresso de todos os reféns com ou sem vida, a desmilitarização da Faixa de Gaza, o controlo israelita da segurança na Faixa de Gaza e o estabelecimento de uma “administração civil alternativa” para o enclave, que não seja nem do Hamas nem da Autoridade Palestiniana, que atualmente governa partes da Cisjordânia ocupada.

Em declarações à estação de televisão americana ‘Fox News’ antes da reunião do gabinete, Netanyahu afirmou que o seu objetivo era ocupar toda a Faixa de Gaza, mas que não pretende ficar com ela nem governá-la, mas sim manter um “perímetro de segurança” e entregá-la a “forças árabes que a governem” sem ameaçar Israel e sem o Hamas.

De acordo com o comunicado, na reunião foi descartado um “plano alternativo”, por se considerar que “não conseguiria nem a derrota do Hamas nem o regresso dos reféns”.

Os meios de comunicação israelitas referem que este plano teria vindo do chefe do Estado-Maior do Exército israelita, Eyal Zamir, que já havia enfrentado Netanyahu ao expressar a sua rejeição à ocupação de toda a Faixa.

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