Alemanha: A exceção à regra. O que explica uma taxa de mortalidade de apenas 0,3%.

Diz-se que o número de camas disponíveis nos cuidados intensivos terá sido uma das razões que contribuiu para esta chamada «excepção alemã».

Simone Silva

A Alemanha conta com uma pequena percentagem de mortes de 0,3%, a mais baixa já registada, em comparação com Itália (9%) ou Reino Unido (4,6%), que faz do país uma exceção à regra da Covid-19, que tem causado milhares de vítimas mortais, em vários países do mundo, de acordo com o ‘The Guardian’.

A explicação para esta diferença baseia-se em diversos factores, contudo não é garantido que a Alemanha não possa vir a registar a mesma quantidade de vítimas mortais verificada na maioria dos restantes países.

Muitos têm sido os especialistas que procuram perceber o porquê da diferença destes números ser tão grande. Lothar Wieler, director do Instituto Robert Koch, uma agência do Governo federal alemão, responsável pela prevenção e controlo de doenças, disse que não achava que, no decorrer da pandemia, os números de mortos em Itália e na Alemanha viessem a ser muito diferentes no final.

Marylyn Addo, a chefe de Infecciologia do Centro Médico da Universidade de Hamburgo disse em declarações ao ‘The Guardian’, que é «demasiado cedo» para dizer «se a Alemanha está melhor equipada em termos médicos para fazer frente à pandemia de Covid-19 do que os outros países». A verdade é que Itália já ultrapassou as suas capacidades de tratar doentes com o vírus há algum tempo e a Alemanha ainda não as esgotou.

Diz-se que o número de camas disponíveis nos cuidados intensivos terá contribuído para esta chamada «excepção alemã». O país dispõe de 28 mil camas nessas condições, o que significa 30 por cada 100 mil habitantes, o número mais elevado de toda a União Europeia. Contudo, as autoridades alemãs consideram este rácio insuficiente e têm estado a trabalhar no aumento dessa capacidade o mais rapidamente possível.

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Outro dos factores explicativo desta diferença, prende-se com o número superior de testes que a Alemanha efetua à sua população, logo desde o início da crise, e até a pessoas com sintomas leves. O resultado dos números faz baixar o das mortes relativamente ao das pessoas infectadas. Fazem-se 160 mil testes por semana em todo o país, 12 mil por dia.

Também a idade dos infectados nas primeiras semanas do contágio é um tópico a ter em conta. Os alemães eram mais novos do que noutros países europeus. O que significa que eram mais saudáveis e resistentes.

Em entrevista ao jornal alemão ‘Die Zeit’, o virologista do Hospital Charité de Berlim, Christian Drosten, disse acreditar que muitos jovens italianos estão infectados sem serem testados, o que «também explica uma taxa de mortalidade mais alta».

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De acordo com os números recolhidos pelo Instituto Robert Koch, existem actualmente na Alemanha 26.220 pacientes infectados, 266 dos quais já recuperaram da doença e cerca 11 vítimas mortais.

«Há indicações de que o crescimento exponencial da curva está a enfraquecer», disse Wieler. A percepção do risco aumenta, no entanto, sublinhou, «infelizmente ainda existe uma lacuna entre conhecimento e acção», referiu, citado pela agência noticiosa alemã DPA.

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