Médicos e enfermeiros exaustos. Serviço de ajuda psicológica teve mais de 20 pedidos no primeiro dia

A dificuldade em controlar os pensamentos e o medo de infectar os outros, perturbações do sono e incapacidade de controlar o acesso à informação são as principais queixas.

Executive Digest

Médicos e enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) estão a pedir apoio psicológico. Mais de 20 profissionais marcaram consulta com um psiquiatra logo no primeiro dia de um serviço gratuito com o nome «Cuidar de quem cuida», por videochamada, criado este domingo por 200 especialistas em saúde mental de todo o país, a maioria de hospitais públicos, revela o “Expresso”.

«Até ao momento, as queixas principais são preocupações ansiosas, dificuldade em controlar os pensamentos sobre os riscos para si e o medo de infectar os outros, perturbações do sono e a incapacidade de controlar o acesso à informação, porque estão sempre a tentar ver a última coisa que saiu, aumentando muito a ansiedade», explica ao “Expresso” o responsável pelo projecto, Pedro Morgado. Este psiquiatra e docente da Escola de Medicina da Universidade do Minho adianta que «os casos de exaustão vão aparecer, embora ainda seja cedo para falar em esgotamento».



Esta plataforma é a resposta a um apelo do bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, para que seja garantido apoio psíquico aos profissionais de saúde. «Em Portugal ainda não interiorizámos o conceito de prevenção, a Ordem está a tomar medidas para prevenir uma situação em que sabemos que tudo vai acontecer», afirma o bastonário do sector.

Além da Ordem e da escola médica, o serviço tem a colaboração da Direção-Geral da Saúde, da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental e da Associação Portuguesa de Internos de Psiquiatria e capacidade para, já nesta fase inicial, dar resposta a mil contactos.
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