“Europa está a roubar-nos” e outras sete frases com que Trump declarou guerra económica ao mundo

A partir do Jardim de Rosas da Ala Oeste, Donald Trump prometeu um grande anúncio, com repercussões globais. E não desiludiu

Francisco Laranjeira

A partir do Jardim de Rosas da Ala Oeste, Donald Trump prometeu um grande anúncio, com repercussões globais. E não desiludiu. O presidente americano confirmou tarifas de 25% sobre os veículos fabricados no estrangeiro e um imposto adaptado a cada país, incluindo um de 20% sobre os produtos importados da União Europeia.

O presidente republicano anunciou, no entanto, que todos os países que desejarem vender aos Estados Unidos enfrentarão uma tarifa de 10% sobre quase todos os seus produtos. Por isso, estes 10% podem ser interpretados como o gesto mais gentil que se pode esperar da Casa Branca com parceiros e adversários, seja a Argentina de Javier Milei , a Ucrânia de Volodymyr Zelensky ou o Irão dos ayatollahs.

Trump apelidou esta quarta-feira de “Dia da Libertação”: o presidente republicano deixou um rasto de declarações que simbolizou uma mudança histórica no comércio internacional. Mas não só: também reafirmaram o seu desprezo pelos aliados tradicionais dos Estados Unidos e a sua tendência isolacionista.

“O dia 2 de abril de 2025 será para sempre recordado como o dia em que a indústria americana renasceu, o dia em que o destino da América foi recuperado e o dia em que começámos a tornar a América novamente rica”, começou Trump o seu discurso. “E será um dia que, espero, vão recordar nos próximos anos. E vão dizer: ‘Sabem, eu tinha razão. Este acabou por ser um dos dias mais importantes da história do nosso país.”

Vejamos as restantes citações:

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“Durante décadas, o nosso país foi saqueado, pilhado, violado e roubado por nações próximas e distantes, amigas e inimigas”, assumiu o presidente americano, colocando tanto a China, o seu maior adversário geopolítico, como a União Europeia, aliada até há poucos meses, no topo da lista dos afetados pelas tarifas. Trump, neste sentido, não discrimina. Percebe ambos como agentes hostis com os quais compete. “Estão a roubar-nos. É tão triste de ver. É tão patético”, concluiu.

“Vamos cobrar 20%, por isso estamos basicamente a cobrar metade”, acrescentou o presidente dos EUA sobre os 27. Sobre Pequim, Trump reconheceu ter “um grande respeito” pelo presidente chinês Xi Jinping, mas acusou a China de ter “lucrado tremendamente” com o comércio com os Estados Unidos.

“Vamos cobrar-lhes cerca de metade do que nos estão a cobrar e têm-nos cobrado. Assim, as tarifas não serão reciprocidade completa”, explicou Trump, acrescentando que o valor inclui “a taxa combinada de todas as suas tarifas, barreiras não monetárias e outras formas de engano”.

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“Os Estados Unidos não podem continuar com uma política de rendição económica unilateral… Temos de cuidar do nosso povo, e vamos cuidar do nosso povo primeiro”, enfatizou o presidente republicano.

“Nos próximos dias, haverá queixas de globalistas, outsourcing, interesses especiais e notícias falsas … Nunca nos esqueçamos que todas as previsões que os nossos adversários fizeram sobre o comércio nos últimos 30 anos provaram estar completamente erradas”, concluiu.

Esta foi a sua forma particular de desafiar os críticos. Não haverá concessões nem vontade de admitir os erros que a maioria dos analistas tem vindo a prever há algum tempo. Trump quer deixar definitivamente a sua marca nessa era.

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