Enviado de Putin diz que “várias forças” estão a tentar criar ‘guerra’ entre a Rússia e os EUA

Kirill Dmitriev, emissário de investimentos do presidente russo Vladimir Putin e chefe do fundo soberano da Rússia, afirmou esta quinta-feira que forças não identificadas estão a tentar criar tensões entre a Rússia e os Estados Unidos, dificultando a normalização das relações entre os dois países.

Pedro Gonçalves

Kirill Dmitriev, emissário de investimentos do presidente russo Vladimir Putin e chefe do fundo soberano da Rússia, afirmou esta quinta-feira que forças não identificadas estão a tentar criar tensões entre a Rússia e os Estados Unidos, dificultando a normalização das relações entre os dois países.

“Hoje, inúmeras forças interessadas em manter a tensão impedem a restauração de uma cooperação construtiva… Estas forças distorcem deliberadamente a posição da Rússia, tentando bloquear qualquer passo em direção ao diálogo, sem poupar dinheiro ou recursos para isso”, escreveu Dmitriev na plataforma Telegram.

Estas declarações surgem no contexto da visita de Dmitriev a Washington esta semana, onde se deslocou a mando de Putin para estabelecer contactos com membros da administração de Donald Trump. O objetivo, segundo Dmitriev, é restabelecer um canal de diálogo entre Moscovo e Washington, particularmente nas áreas de cooperação económica e investimento. “Sim, restaurar o diálogo é um processo difícil e gradual. Mas cada reunião, cada conversa franca, permite-nos avançar”, sublinhou.

Preocupações entre aliados da Ucrânia
A aproximação entre a administração de Vladimir Putin e a de Donald Trump tem causado apreensão na Ucrânia e entre os aliados europeus do país. Há receios de que os dois líderes possam negociar um acordo que ponha fim à guerra na Ucrânia, mas que marginalize Kiev e comprometa a segurança dos países vizinhos.

Trump tem afirmado repetidamente que deseja ser recordado como um pacificador e tem insistido na necessidade de encerrar a guerra, alertando para os riscos de escalada que possam levar a um conflito direto entre os Estados Unidos e a Rússia.

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A deslocação de Dmitriev aos Estados Unidos surge após um convite de Steve Witkoff, um emissário da administração Trump que tem liderado os contactos com o Kremlin. De acordo com fontes oficiais dos EUA, a Casa Branca instruiu o Departamento de Estado a emitir uma licença especial de curta duração para permitir a entrada de Dmitriev no país. Esta autorização era necessária, uma vez que o emissário russo está sujeito a sanções impostas por Washington.

Dmitriev defende que um entendimento genuíno da posição russa pode abrir novas oportunidades para uma cooperação construtiva entre os dois países. “Uma verdadeira compreensão da posição da Rússia abre portas para novas oportunidades de cooperação, incluindo no setor do investimento e da economia”, afirmou.

A visita e as declarações de Dmitriev inserem-se num contexto geopolítico delicado, em que os esforços diplomáticos para restabelecer laços entre Moscovo e Washington são acompanhados com atenção por vários atores internacionais, especialmente aqueles cujos interesses podem ser diretamente afetados por uma eventual reaproximação entre as duas potências.

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