Putin responde a apelo de Trump e diz que poupará as tropas ucranianas em Kursk, mas apenas “se se renderem”

O presidente russo, Vladimir Putin, respondeu ao apelo do seu homólogo norte-americano, Donald Trump, para poupar as tropas ucranianas que se encontram a recuar da região russa de Kursk, afirmando que a sua segurança só será garantida se “se renderem”.

Pedro Gonçalves

O presidente russo, Vladimir Putin, respondeu ao apelo do seu homólogo norte-americano, Donald Trump, para poupar as tropas ucranianas que se encontram a recuar da região russa de Kursk, afirmando que a sua segurança só será garantida se “se renderem”.

A declaração foi feita durante uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia, onde Putin sublinhou que as autoridades ucranianas devem instruir os seus soldados a deporem as armas. A situação em Kursk tornou-se um dos pontos centrais da guerra, com tropas ucranianas a retirarem-se na sequência de uma ofensiva russa.



No mesmo dia, Donald Trump apelou publicamente a Putin para poupar as tropas ucranianas que estão a ser forçadas a recuar. O ex-presidente dos Estados Unidos expressou ainda otimismo quanto ao fim do conflito, afirmando que existe “uma grande possibilidade” de a guerra terminar em breve.

Zelensky apela aos aliados para garantirem que a Rússia está pronta para acabar com a guerra
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou esta tarde aos aliados da Ucrânia para assegurarem que a Rússia está pronta para negociar o fim da guerra. Através da rede social X (antigo Twitter), Zelensky escreveu: “Acreditamos que é responsabilidade dos nossos parceiros garantir que a Rússia está pronta para acabar com a guerra — e não encontrar razões para que continue por mais semanas, meses ou anos”.

Sublinhou ainda que “Putin não acabará a guerra por conta própria” e que “o poder dos Estados Unidos é suficiente para fazer isso acontecer”.

Situação em Kursk é “difícil”, admite Zelensky
Zelensky reconheceu ainda que a situação em Kursk é “difícil”, com as tropas ucranianas a recuarem perante a ofensiva russa. No entanto, defendeu a incursão ucraniana na região, que começou no ano passado, afirmando que essa operação ajudou a aliviar a pressão noutras frentes de batalha, ao forçar Moscovo a deslocar tropas para defender o território.

Contudo, a contraofensiva russa em Kursk reconquistou grande parte do território anteriormente tomado pela Ucrânia, reduzindo a margem de manobra de Kiev em eventuais negociações de paz com Moscovo.

Trump afirma que milhares de soldados ucranianos estão cercados — Kiev nega
Esta sexta-feira, Trump afirmou que milhares de tropas ucranianas estão cercadas pelas forças russas na região de Kursk e que pediu diretamente a Putin que poupasse as suas vidas. O ex-presidente norte-americano usou a sua plataforma Truth Social para reforçar o alerta:

“Tivemos discussões excelentes e produtivas com o presidente Vladimir Putin da Rússia ontem, e há uma grande possibilidade de que esta guerra horrível e sangrenta possa finalmente chegar ao fim — MAS, NESTE MOMENTO, MILHARES DE SOLDADOS UCRANIANOS ESTÃO COMPLETAMENTE CERCADOS PELO EXÉRCITO RUSSO E NUMA POSIÇÃO MUITO MÁ E VULNERÁVEL”.

Trump comparou a situação a “um massacre que não se via desde a Segunda Guerra Mundial” e apelou a Putin para que poupasse os soldados.

No entanto, tanto o comando militar ucraniano como soldados que combatem na região negaram as alegações de Trump. De acordo com o Estado-Maior Geral da Ucrânia, “os relatos sobre o alegado ‘cerco’ de unidades ucranianas na região de Kursk pelo inimigo são falsos e estão a ser disseminados pelos russos para fins políticos e para pressionar a Ucrânia e os seus parceiros”.

A entidade acrescentou que “a situação não mudou significativamente nas últimas 24 horas. As operações de combate na zona operacional do grupo de forças ‘Kursk’ continuam”. Segundo o comando ucraniano, as tropas recuaram para “posições defensivas mais vantajosas”, mas não estão cercadas.

Três soldados ucranianos que estão na linha da frente, ouvidos pelo Politico, também rejeitaram a versão de Trump, embora tenham admitido que a situação no terreno é difícil.

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