A literacia financeira é um fator determinante para a proteção dos consumidores, permitindo decisões informadas e uma gestão eficaz das finanças pessoais. Em Portugal, apesar dos esforços de diversas entidades, ainda existem lacunas significativas nesta área.
Em entrevista à Executive Digest, Rui Lopes, CEO da Simplefy, explorou a importância da educação financeira, o papel da indústria financeira e dos intermediários de crédito, bem como estratégias para que os consumidores se protejam contra decisões financeiras precipitadas e práticas bancárias inadequadas.
Como analisa a literacia financeira dos consumidores portugueses?
Alguns relatórios mais recentes, como o Pisa 2022 ou o 4.º Inquérito Nacional promovido pelo Plano Nacional de Formação Financeira, indicam-nos que a literacia financeira em Portugal ainda apresenta lacunas significativas, apesar de os esforços de diversas entidades na sua promoção. Uma boa parte dos consumidores portugueses tem dificuldades em compreender certos conceitos de finanças pessoais, como as taxas de juro, o impacto do endividamento ou o planeamento financeiro.
Qual é a importância da educação financeira na proteção do consumidor e como pode a indústria financeira contribuir para essa educação?
A educação e o conhecimento financeiro são essenciais para proteger o consumidor, pois permite que o mesmo tome decisões informadas, evite o endividamento excessivo e reconheça determinadas práticas financeiras abusivas. O setor financeiro pode contribuir para que os índices de literacia financeira aumentem, promovendo conteúdos educativos, simplificando a comunicação e reforçando a transparência na oferta de produtos. Além disso, parcerias na indústria financeira com escolas e universidades poderão ser uma estratégia eficaz para aumentar o conhecimento financeiro desde os mais jovens.
Considerando o atual contexto económico, com inflação e taxas de juros em alta, como pode o consumidor proteger-se de tomar decisões financeiras precipitados ou prejudiciais?
Assistimos, felizmente, a um abrandamento da taxa de inflação desde o final de 2023. Com a estabilização deste indicador, a consequência imediata foi a inversão do caminho que as taxas de juro estavam a tomar. Há cerca de um ano, a Euribor (indexante utilizado em contratos de crédito) iniciou a sua descida e perdeu, praticamente, 35% do seu valor. No entanto, e apesar do enquadramento atual, os consumidores deverão tomar precauções na gestão do orçamento e contratação de crédito, tais como: comparação de propostas antes de contratar.O aconselhamento por parte de especialistas financeiros, como os intermediários de crédito, são uma ferramenta para evitar decisões precipitadas.
Quais são, na sua opinião, os direitos mais importantes que os consumidores devem conhecer ao adquirir produtos financeiros, e como podem garantir que estão a exercer esses direitos de forma eficaz?
Os consumidores devem estar cientes e ser conhecedores de diversos direitos fundamentais,tais como: O direito à informação clara e transparente de todas as informações detalhadas sobre os produtos, incluindo taxas de juro, comissões, encargos e riscos associados. O direito à comparação e escolha entre diferentes ofertas de produtos antes de tomar uma decisão. O direito à liquidação parcial ou total de forma antecipada, reduzindo, assim, os juros a pagar no final. Por fim, o direito à reclamação e resolução de conflitos, caso se sintam lesados.
Como é que os consumidores podem melhor proteger-se contra práticas bancárias ou produtos financeiros que não se ajustem às suas necessidades ou capacidade financeira?
De forma a evitar produtos financeiros que não se ajustem às suas necessidades, os consumidores devem, entre outros aspetos, analisar a sua real capacidade de endividamento antes de assumirem qualquer compromisso e solicitar esclarecimentos sempre que existirem dúvidas sobre custos e penalizações. A consulta de especialistas, como os intermediários de crédito, diminui, igualmente, a probabilidade de poderem tomar uma decisão pouco informada e não sustentada.
Qual é o papel dos intermediários de crédito na proteção dos interesses dos consumidores, especialmente no que diz respeito à subscrição de produtos bancários?
Os intermediários de crédito desempenham um papel fundamental ao ajudar os consumidores a escolher as melhores soluções financeiras que se adaptam às suas necessidades e ao seu perfil. O valor destes profissionais assenta, principalmente, na capacidade que têm de poder fazer uma análise imparcial das diferentes ofertas do mercado, na negociação de condições mais vantajosas junto das instituições financeiras, na simplificação dos processos e na redução da burocracia, bem como no esclarecimento sobre os riscos de determinadas escolhas financeiras. Em suma, a literacia financeira e o aconselhamento especializado são essenciais para que os consumidores façam escolhas financeiras responsáveis e sustentáveis.














