A primavera poderá chegar com temperaturas acima do normal em grande parte da Península Ibérica. A previsão foi avançada pela Agência Estatal de Meteorologia de Espanha (AEMET), que aponta para uma probabilidade significativa de um trimestre mais quente do que o habitual.
De acordo com a previsão sazonal da AEMET citada pelo ’20 Minutos’, existe 60% de probabilidade de a primavera meteorológica — correspondente aos meses de março, abril e maio — registar temperaturas acima da média em grande parte da Península Ibérica. Nas Ilhas Baleares, essa probabilidade sobe para 70%, enquanto nas Ilhas Canárias e no sudoeste da península ronda os 50%.
Em relação à precipitação, o cenário é menos claro. Segundo a AEMET, não existe uma tendência definida para a maior parte do território espanhol, embora haja uma ligeira probabilidade de o trimestre ser um pouco mais seco do que o habitual no sudoeste da península e nas Ilhas Canárias.
As previsões surgem depois de um inverno marcado por temperaturas elevadas e chuvas abundantes. O relatório climático divulgado pela AEMET indica que o período entre dezembro e fevereiro foi “muito quente” em termos de temperatura e “muito chuvoso” em termos de precipitação.
Segundo os dados citados pelo ’20 Minutos’, o inverno de 2025-2026 registou uma temperatura média de 7,6 °C na Espanha continental, o que representa uma anomalia de +1 °C em comparação com a média do período de referência entre 1991 e 2020.
Este resultado faz com que o inverno agora terminado seja o nono mais quente desde o início da série histórica, em 1961, e o sexto mais quente do século XXI, segundo a AEMET. O porta-voz da agência, Rubén del Campo, sublinhou ainda que os últimos oito invernos foram mais quentes do que o normal.
Além do calor, a estação ficou igualmente marcada por precipitações muito acima da média. A precipitação acumulada na Espanha continental atingiu 323,2 milímetros, o equivalente a 171% do valor normal para o trimestre de dezembro, janeiro e fevereiro.
Nas Ilhas Baleares foram registados 214 milímetros, correspondendo a 119% da média, enquanto nas Ilhas Canárias a precipitação chegou aos 159 milímetros, cerca de 159% do valor habitual. De acordo com os dados citados pelo 20 Minutos, este foi o oitavo inverno mais chuvoso desde 1961 e o terceiro mais chuvoso do século XXI.
Grande parte desta chuva foi provocada pela passagem sucessiva de tempestades atlânticas durante janeiro e fevereiro. Nestes dois meses, os níveis de precipitação chegaram a ser mais do dobro da média, explicou Rubén del Campo.
Segundo a AEMET, o período de janeiro-fevereiro de 2026 foi o mais chuvoso dos últimos 47 anos, com acumulados muito elevados em várias regiões do país. Um dos episódios mais intensos ocorreu durante a tempestade Leonardo, a 4 de fevereiro, quando foram registados quase 600 litros por metro quadrado na localidade de Grazalema, na província de Cádis.
Apesar de vários períodos de frio ao longo do inverno, sobretudo em dezembro e janeiro, a AEMET esclarece que não foi registada nenhuma onda de frio durante esta estação.
O contraste com o verão é evidente. Entre 2021 e 2025, foram contabilizadas 15 ondas de calor, num total de 133 dias, enquanto apenas quatro ondas de frio ocorreram no mesmo período, com uma duração total de 14 dias.
Segundo a análise da agência meteorológica espanhola citada pelo ’20 Minutos’, as ondas de calor são atualmente quase quatro vezes mais frequentes do que as ondas de frio, e o número de dias com calor extremo é quase dez vezes superior ao registado em episódios de frio intenso.
Embora as previsões sejam específicas para Espanha, os padrões meteorológicos podem também ter impacto em Portugal, dado que grande parte da Península Ibérica partilha sistemas atmosféricos semelhantes, especialmente no que diz respeito às massas de ar atlânticas e às tempestades que atravessam a região.














