A comunidade ucraniana em Portugal realiza esta sexta-feira, 7 de março, uma manifestação em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, na Avenida das Forças Armadas. O protesto, agendado para as 19h30, foi convocado pela Associação de Ucranianos em Portugal e realiza-se “devido à decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de suspender a ajuda militar à Ucrânia”, segundo indica a estrutura em nota.
Na nota de convocação do protesto, a associação denuncia que esta decisão “intensificará o genocídio russo contra os ucranianos” e apela à mobilização da comunidade em Portugal para demonstrar indignação face à política dos Estados Unidos.
O protesto surge num contexto de crescente preocupação entre os ucranianos no estrangeiro, particularmente após Trump ter indicado que pretende suspender indefinidamente a ajuda militar à Ucrânia. Esta posição já havia sido alvo de fortes críticas na última manifestação realizada pela comunidade ucraniana em Lisboa, no passado dia 23 de fevereiro, quando centenas de manifestantes se reuniram para assinalar o terceiro aniversário da guerra.
Nessa ocasião, vários cartazes expressavam a revolta contra a atual posição dos EUA. “Não apoiem os terroristas” lia-se num dos cartazes, ilustrado com um desenho de Trump e do presidente russo, Vladimir Putin, a cumprimentarem-se com um beijo. Outras mensagens exibidas pelos manifestantes incluíam apelos diretos à Rússia para pôr fim à guerra e críticas à sugestão de Trump de que a Ucrânia deveria ceder territórios como parte de um eventual acordo de paz.
Mobilização e apoio político
A manifestação de fevereiro contou também com a presença de várias figuras políticas portuguesas. O líder da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, lamentou que “todos os sinais da administração Trump sejam de alinhamento com os interesses de Putin”, criticando particularmente a ausência de representantes de alguns partidos portugueses, como o Chega, que acusou de estar “no bolso de Trump”.
Já Eurico Brilhante Dias, do Partido Socialista, marcou presença para ouvir os testemunhos de cidadãos ucranianos que relataram as dificuldades vividas ao longo de três anos de guerra. A vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa, Filipa Roseta (PSD), expressou solidariedade com a causa ucraniana e apelou ao fim do conflito.
Os testemunhos emocionados de refugiados ucranianos deram um rosto humano ao impacto da guerra. Marina Holasna, uma das manifestantes, pediu que “a guerra acabe o mais rápido possível”, enquanto Kateryna relatou ter deixado de seguir as notícias devido ao impacto psicológico que lhe causavam. Entre os mais jovens, Akim Kononets, de 12 anos, revelou que, apesar de ter encontrado segurança em Portugal, quer regressar ao seu país, onde deixou amigos e familiares.
Com a nova manifestação agendada para esta sexta-feira, a Associação de Ucranianos em Portugal espera mobilizar um número ainda maior de participantes. O local escolhido, em frente à Embaixada dos EUA, sublinha a intenção dos organizadores de pressionar diretamente a administração norte-americana a reverter a decisão de Trump.
A guerra na Ucrânia, iniciada a 24 de fevereiro de 2022 com a invasão russa, já provocou milhares de mortes e a deslocação de milhões de pessoas. O apoio militar internacional tem sido fundamental para a resistência ucraniana, e qualquer alteração na posição dos Estados Unidos pode ter impactos significativos no conflito.














