Florestas tropicais estão a perder capacidade de absorver carbono, diz estudo

A floresta da Amazónia pode tornar-se numa fonte de CO2.

Simone Silva

As florestas tropicais estão a absorver menores quantidades de dióxido de carbono da atmosfera, facto que pode contribuir para acelerar o colapso climático, de acordo com um estudo citado pelo ‘The Guardian’.

A floresta tropical da Amazónia, no Brasil, pode vir a transformar-se numa fonte de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, em vez de um dos maiores ‘absorventes’ do gás, nos próximos dez anos, devido aos impactos da crise climática, aponta o estudo.

Caso isso venha mesmo a acontecer, os impactos no clima serão provavelmente muito mais sérios e o mundo será obrigado a reduzir as actividades produtoras de carbono, para combater a perda de ‘absorventes’ de CO2.

«Descobrimos que um dos impactos mais preocupantes das alterações climáticas já teve inicio», disse Simon Lewis, professor de geografia da Universidade de Leeds, um dos principais autores da pesquisa, acrescentando que «esta situação encontra-se décadas à frente até dos cenários climáticos mais pessimistas», diz citado pelo ‘The Guardian’.

Nos últimos 30 anos, a quantidade de carbono absorvido pelas florestas tropicais, a nível mundial, diminuiu, de acordo com o estudo. Actualmente, as florestas estão a consumir um terço a menos de carbono do que nos anos 90, devido aos impactos causados pelas temperaturas elevadas, por períodos de secas e desflorestação.

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É provável que esta tendência de diminuição da absorção de CO2 continue, uma vez que as florestas estão sob uma ameaça crescente, motivada pelas alterações climáticas e pela exploração.

«Os seres humanos tiveram muita sorte até agora, uma vez que as florestas tropicais estão a absorver grande parte da nossa poluição, mas não podem continuar a fazer isto indefinidamente», disse Lewis ao Guardian. «Temos de reduzir as emissões de combustíveis fósseis antes que o ciclo global de carbono comece a trabalhar contra nós. É tempo de agir, agora», refere o professor universitário.

A absorção de carbono da atmosfera pelas florestas tropicais atingiu o pico na década de 1990, quando cerca de 46 mil milhões de toneladas foram removidas do ar, o equivalente a cerca de 17% das emissões de dióxido de carbono das actividades humanas. Na última década, esse valor diminuiu para cerca de 25 mil milhões de toneladas, ou seja apenas 6% das emissões globais.

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