São 602 reclamações à associação de defesa dos consumidores (Deco) e mais de 800 no Portal da Queixa contra um plano de saúde da Medicare, promovido por Cristina Ferreira (embaixadora da marca até 2025) e Manuel Luís Goucha nas manhãs televisivas da “SIC” e “TVI”, respectivamente, revela o “Diário de Notícias” (DN).
Porém, só em 2019, foram entregues 602 queixas à Deco contra o plano de saúde Medicare. «Neste momento é aquele que tem mais reclamações», refere Ana Sofia Ferreira, jurista da associação de defesa do consumidor.
Contactada pelo “DN”, fonte oficial da Medicare considerou o número de queixas residual num universo de 1,4 milhões de utilizadores. A «esmagadora maioria das adesões são efetuadas por via telefónica, com gravação autorizada da chamada e confirmação inequívoca da adesão por parte do cliente. No final da apresentação do produto são informadas as condições contratuais, sendo solicitada expressamente a concordância do cliente, bem como a indicação dos seus dados pessoais e bancários. Após a adesão, todas as condições contratuais são remetidas por e-mail e/ou por carta».
«Nos casos em que a adesão do cliente não é inequívoca ou possa suscitar dúvidas a mesma não é validada pelos nossos serviços», acrescenta. Sobre a adesão expressa dos clientes aos produtos da Medicare, a empresa diz que «cada vez mais, são os potenciais clientes que contactam a Medicare para fazer adesão aos nossos serviços». «Nestes casos, não existe necessidade de confirmação da adesão. (…) Existem prazos legais para os consumidores anularem os seus contratos.»
Nos casos de incumprimento,«são contactados pelo nosso departamento especializado, tentando resolver o diferendo e alcançar um acordo».«Todas as nossas reclamações são respondidas e analisadas, o que aliás pode ser validado no Portal da Queixa, onde a Medicare tem ótimos indicadores», referem, realçando que todas as queixas merecem «a melhor atenção».
O “DN” escreve, no entanto, que as «facilidades» de adesão contrastam com as dificuldades de cancelamento. «Tentei por várias vezes cancelar o contrato, mas sem efeito. Publicidade enganosa», escreveu Rosa Dias, a 22 de Dezembro, no Portal da Queixa. Nos últimos 12 meses, chegaram à plataforma onde os consumidores relatam problemas com marcas e serviços 829 reclamações.
Rui Santos, outro cliente, escreve no Portal da Queixa: «Contactei telefonicamente a Medicare no dia 12 de Dezembro de 2019, pelas 16.00, a solicitar o cancelamento do contrato, foi-me transmitido que seria contactado num prazo de 48 horas. Nunca foi devolvida qualquer chamada dos vossos serviços. (…) Quando o contrato for celebrado por telefone, o consumidor só fica vinculado depois de assinar a oferta ou enviar o seu consentimento escrito ao fornecedor de bens ou prestadores de serviços, excepto nos casos em que o primeiro contacto telefónico seja efectuado pelo próprio consumidor».
A fidelização obrigatória de um ano é outra queixa recorrente: «Já que vos enviei 3 e-mails e não obtive resposta a nenhum deles aqui venho novamente expor a minha situação. (…) Foi-me dito que não poderia cancelar [o contrato] a não ser no fim da segunda anuidade (que termina em Abril). Sendo que, quando me ligaram para dar a conhecer o vosso plano disseram-me que após o primeiro ano de fidelização poderia cancelar quando quisesse, (…) Renovação automática!? Por um ano?! Não deveriam enviar pelo menos uma mensagem, um e-mail o que quer que fosse, a informar que estava prestes a renovar e que caso não houvesse discórdia por parte do cliente, então renovaria por mais um ano? Não seria melhor assim do que obrigarem as pessoas a pagarem por algo que não querem? Evitariam assim as centenas de queixas que têm neste portal pelo mesmo motivo!».
A Medicare, detida pela MED&CR – Serviços de Gestão de Cartões de Saúde, unipessoal, resulta da fusão e cisão das empresas Gesticlub e Callmedia.
*Notícia actualização com mais informação às 11:30













