Parlamento aprova comissão de inquérito à Efacec. IL quer “convidar” Isabel dos Santos para explicar os “factos”

O parlamento aprovou hoje, apenas com os votos contra do PS, a proposta da IL para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão da tutela política na empresa Efacec.

Executive Digest com Lusa

O parlamento aprovou hoje, apenas com os votos contra do PS, a proposta da IL para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão da tutela política na empresa Efacec.

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A proposta da Iniciativa Liberal tinha já aprovação garantida depois de Chega e PSD anunciarem que a iriam viabilizar e recebeu na votação de hoje em plenário os votos a favor de todas as forças partidárias à exceção dos socialistas, que se opuseram.

Foi também submetido a votação um aditamento, da autoria do PCP, à proposta da IL no sentido de ver também apuradas nesta comissão o exercício e responsabilidades dos grupos acionistas da Efacec, bem como o papel e as decisões da banca antes e depois da nacionalização e as causas e a real situação financeira do grupo Efacec antes de ser adquirida pelo Estado.

A proposta dos comunistas foi também aprovada, contando apenas com os votos contra dos deputados do PS e a abstenção da IL

A IL propõe a constituição de uma Comissão Parlamentar de inquérito para “avaliar o exercício e as responsabilidades das tutelas políticas envolvidas na gestão das empresas do Grupo Efacec (Efacec Power Solutions, SGPS, S.A. e empresas subsidiárias) desde o processo conducente à nacionalização da empresa em 2020 até à data de conclusão do processo de privatização”.

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De acordo com o deputado liberal Carlos Guimarães Pinto, ao ‘DN’, “os governantes estarão lá todos, isso é certo. Quem teve responsabilidades governativas obviamente estará lá. Quem tomou as decisões, quem teve a tutela enquanto a Efacec estava na esfera do Estado, quem fez as privatizações, todos serão chamados”.

Acrescenta ainda que até Isabel dos Santos que “não sendo portuguesa não é obrigada a dar explicações ao Parlamento numa comissão parlamentar de inquérito” deverá ser “convidada” a explicar “factos” sobre o tempo em que era “a principal acionista” – a Efacec foi nacionalizada, em 2020, na sequência do Luanda Leaks que “deixou Isabel dos Santos sem financiamento bancário” e a empresa “pior do que estava”.

A Iniciativa Liberal anunciou a 01 de outubro que iria avançar com uma proposta para a formação de uma comissão parlamentar de inquérito aos processos de nacionalização e reprivatização da Efacec.

Na altura, o presidente da IL, Rui Rocha, afirmou que os objetivos desta iniciativa passavam por “identificar as condições em que foi feita a primeira nacionalização” e perceber como “foi feita a primeira tentativa de privatização” e a “privatização que veio realmente a acontecer”.

O partido, disse Rui Rocha, pretende que seja analisado o período “desde a intervenção do Estado e a decisão da intervenção do Estado até à privatização, porque em cada um destes períodos há coisas muito estranhas que têm de ser analisadas”.

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Uma auditoria do Tribunal de Contas (TdC), cujos resultados foram conhecidos no final de setembro, concluiu que a decisão do Estado em nacionalizar e depois reprivatizar a Efacec pode atingir um custo, em financiamento público, de 564 milhões de euros, sendo que os objetivos não foram alcançados.

Adicionalmente, o TdC considerou que a escolha da proposta vencedora da reprivatização da Efacec, da Mutares, aumentou o risco da operação e fez com que o Estado gastasse mais 271 milhões de euros.

O Estado vendeu a totalidade da Efacec (nacionalizada em 2020) ao fundo de investimento alemão Mutares, que injetará 15 milhões de euros em capital e dará garantias para empréstimos no valor de 60 milhões de euros.

No âmbito da venda, o Estado acordou injetar 160 milhões de euros na empresa e o Banco de Fomento financia em mais 35 milhões de euros, através da compra de obrigações (convertíveis em capital).

Estes valores somam-se aos 200 milhões de euros que o Estado já tinha injetado na empresa nos últimos 20 meses (para pagar custos fixos, desde logo salários).

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*Com Lusa

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