A terra está a aquecer e os cientistas decidiram voltar a fazer um aviso à humanidade, alertando para o declínio do número de espécies vegetais e animais do planeta. Uma em cada três plantas e animais estão em risco de extinção até 2070 devido ao efeito das alterações climáticas, adverte um novo estudo feito por norte-americanos, citado pelo jornal “The Independent”.
Os autores do estudo Cristian Román-Palacios e John Wiens, ambos da Universidade do Arizona, cruzaram dados de 538 espécies em 581 locais em todo o mundo, concentrando-se nas espécies que foram pesquisadas nos mesmos locais ao longo do tempo, com pelo menos 10 anos de diferença. Assim, concluíram que 44% já tinham sido extintas num ou mais locais que haviam habitado anteriormente e descobriram que «usar mudanças nas temperaturas médias anuais para prever a extinção das mudanças climáticas pode ser enganoso», revelou o professor John Wiens.
Dão ainda conta de que pesquisas mais recentes indicam que a maioria das espécies não será capaz de mover-se a rapidez suficiente para evitar a extinção, com base nas suas taxas de movimentação no passado. Ainda assim, salientam que muitas foram capazes de tolerar alguns aumentos nas temperaturas máximas, mas apenas até certo ponto. Cerca de 50% das espécies acabaram extintas em locais onde as temperaturas máximas aumentaram mais de 0.5 graus e 95% onde os termómetros registaram mais 2.9 graus do que era habitual.
As projecções de perda de espécies do artigo são semelhantes para plantas e animais, mas serão mais acentuadas nos trópicos do que nas regiões temperadas.
«Se nos limitarmos ao Acordo de Paris para combater as mudanças climáticas, podemos perder menos de dois em cada dez espécies de plantas e animais na Terra até 2070», antecipa Wiens. «Mas se os humanos provocarem aumentos de temperatura maiores, podemos perder mais de um terço ou mesmo metade de todas as espécies animais e vegetais, com base nos nossos resultados.»
Recorde-se que o Acordo de Paris, negociado por 195 países tem como principal objectivo conter o aquecimento global do planeta, ao reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. A comunidade internacional comprometeu-se a limitar a subida da temperatura abaixo dos dois graus Celsius e a prosseguir esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais.
Em Novembro do ano passado, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a saída do Acordo de Paris, quase dois anos e meio depois de ter anunciado essa intenção. Na altura, Donald Trump disse que o acordo tem como objectivo «punir os americanos e enriquecer os poluidores estrangeiros».













