Sondagem: Kamala Harris com vantagem de 15 pontos percentuais para Trump entre as mulheres dos EUA

Uma nova sondagem revela que as mulheres norte-americanas preferem a vice-presidente Kamala Harris ao ex-presidente Donald Trump, com uma diferença de 15 pontos percentuais, à medida que Harris começa a destacar-se numa das áreas tradicionalmente mais fortes de Trump: a economia.

Pedro Zagacho Gonçalves

Uma nova sondagem revela que as mulheres norte-americanas preferem a vice-presidente Kamala Harris ao ex-presidente Donald Trump, com uma diferença de 15 pontos percentuais, à medida que Harris começa a destacar-se numa das áreas tradicionalmente mais fortes de Trump: a economia.

O estudo, realizado pela Universidade Americana e partilhado com o Politico, mostra que a maioria das mulheres confia mais em Kamala Harris do que em Trump para lidar com a inflação e baixar o custo de vida. A sondagem, que entrevistou mais de 800 eleitoras registadas em setembro, indicou que 46% das mulheres preferem Harris para lidar com a economia, enquanto 38% optam por Trump. A economia e a inflação são os temas mais importantes para quase dois terços das mulheres inquiridas.

Apesar da economia ser um dos pontos fracos dos Democratas nas eleições, este inquérito sugere que Harris tem conseguido reduzir a liderança de Trump neste campo. A vice-presidente, que assumiu um papel mais proeminente na campanha em julho, tem-se focado em comunicações que parecem estar a quebrar a vantagem tradicional de Trump na área económica. “Harris eliminou a vantagem de Trump na inflação, estreitou a margem na economia em geral e aumentou a diferença com as mulheres,” afirma Lindsay Vermeyen, responsável pela condução da sondagem, em declarações ao jornal Político.

Mudanças na perceção económica das mulheres
Os resultados da sondagem também indicam uma mudança no pessimismo em relação à economia entre as mulheres, especialmente nas zonas suburbanas. Em 2022 e 2023, mais de 60% das mulheres em áreas suburbanas mostravam-se pessimistas quanto à economia, mas esse número caiu para 40% nos dados mais recentes. No entanto, dois terços das inquiridas afirmaram que a sua situação financeira pessoal piorou nos últimos anos.

A crescente confiança em Harris entre as mulheres pode ser um fator importante para os Democratas, já que o ex-presidente Trump continua a ter um desempenho muito superior entre os homens. A favorabilidade de Harris entre as mulheres aumentou em 12 pontos percentuais desde 2023, com 55% das inquiridas agora a verem-na de forma positiva, enquanto 41% têm uma opinião negativa. Por outro lado, 57% das mulheres mantêm uma visão desfavorável de Trump.

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Aborto continua a ser um tema determinante
Outra questão central que beneficia Harris é o aborto, especialmente após a revogação de Roe v. Wade em 2022. Dois terços das mulheres inquiridas afirmaram que o aborto deveria ser legal na maioria dos casos, e 86% disseram que o governo não deveria interferir nas decisões das mulheres sobre a interrupção voluntária da gravidez. Apenas 14% acreditam que o aborto deveria ser ilegal.

Entre as mulheres republicanas, o apoio à proibição do aborto diminuiu significativamente. Em 2023, 24% das republicanas disseram ser contra o aborto em todas as circunstâncias, mas esse número caiu para 12% em 2024. Esta mudança reflete-se num maior apoio a Kamala Harris na questão do aborto, com 55% das mulheres a preferirem a vice-presidente para lidar com o tema.

Embora Harris tenha falado pouco sobre os aspetos históricos da sua campanha, nove em cada 10 mulheres democratas afirmaram sentir-se motivadas pela possibilidade de eleger a primeira mulher presidente dos Estados Unidos. Entre as mulheres independentes, 70% também disseram estar entusiasmadas em ajudar a eleger uma mulher para o cargo mais alto do país. Além disso, dois terços das mulheres inquiridas acreditam que o país está agora “mais aberto” a eleger uma mulher presidente do que em 2016.

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Este cenário representa uma mudança significativa no apoio feminino, favorecendo Kamala Harris numa campanha que, para muitos, poderá marcar um ponto de viragem na política americana, tanto em termos de género como nas questões económicas e sociais que moldam o eleitorado feminino.

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