Países bálticos querem travar possível invasão de Putin em território NATO com a construção de 600 bunkers na fronteira

Estados Bálticos são há muito apontados como possíveis alvos de Putin, caso o presidente russo deseje lançar um ataque à NATO: se for bem-sucedido, as unidades russas podem invadir as três pequenas nações em poucos dias

Francisco Laranjeira

As iniciativas militares da Rússia na Ucrânia têm promovido, junto dos países vizinhos, muitos preparativos para uma possível guerra com Moscovo: em janeiro último, indicou esta sexta-feira a revista ‘Newsweek’, os ministros da Defesa da Letónia, Lituânia e Estónia chegaram a acordo para um novo plano para construir uma extensa rede de fortificações destinadas a dissuadir uma possível incursão russa.

Na Estónia, com 340 quilómetros de fronteira com a Rússia – muitos dos quais considerados quase intransitáveis graças às extensas florestas e zonas húmidas -, pretende-se instalar cerca de 600 bunkers. “A guerra na Ucrânia mostrou que retomar territórios já conquistados é extremamente difícil e acarreta um grande custo de vidas humanas, tempo e recursos materiais”, salientou Susan Lilleväli, subsecretária do Ministério da Defesa local: o projeto está orçamentado em 60 milhões de euros. “Além de equipamento, munições e mão de obra, precisamos de instalações físicas para defender os nossos países de forma eficiente”, indicou.



Os Estados Bálticos são há muito apontados como possíveis alvos de Putin, caso o presidente russo deseje lançar um ataque à NATO: se for bem-sucedido, as unidades russas podem invadir as três pequenas nações em poucos dias.

Após a invasão russa da Crimeia, em 2014, a NATO destacou batalhões operacionais multinacionais, vistos como uma força de “armação”, ou seja, concebida para atrair as nações aliadas para o conflito em vez de deter uma força de invasão russa. O estatuto de ‘armadilha’ tem merecido o protesto dos líderes civis e militares do Báltico.

A nova linha defensiva do Báltico está alinhada com a abordagem atualizada de “postura de defesa avançada e dissuasão por negação” da NATO, garantiu Lilleväli, “com o objetivo de defender cada centímetro do território aliado em todos os momentos”.

“Estas instalações servem, em primeiro lugar, o propósito de evitar conflitos militares na nossa região, pois podem potencialmente mudar o cálculo do inimigo”, reforçou Lilleväli. “As medidas de contramobilidade e de fortificação desempenharam um papel significativo nas guerras na nossa região ao longo da história, por exemplo na Finlândia, e como a guerra na Ucrânia demonstrou, são perfeitamente válidas também neste século.”

“As instalações devem negar ao inimigo a possibilidade de avançar rapidamente no território dos países bálticos e em caso de incursões militares impedir o avanço do inimigo já nas nossas fronteiras”, frisou.

As autoridades estónias planearam até agora os 600 bunkers. Estes serão fornecidos através de stocks próximos de equipamentos e munições. A maioria serão “adegas” cuboides de cimento construídas no solo com uma trincheira de tiro parcialmente coberta perpendicular à entrada. A Estónia quer que os primeiros bunkers sejam instalados a partir do início de 2025.

Os bunkers terão cerca de 35 metros quadrados e serão projetados para acomodar 10 soldados cada, além de todos os equipamentos necessários.

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