As iniciativas militares da Rússia na Ucrânia têm promovido, junto dos países vizinhos, muitos preparativos para uma possível guerra com Moscovo: em janeiro último, indicou esta sexta-feira a revista ‘Newsweek’, os ministros da Defesa da Letónia, Lituânia e Estónia chegaram a acordo para um novo plano para construir uma extensa rede de fortificações destinadas a dissuadir uma possível incursão russa.
Na Estónia, com 340 quilómetros de fronteira com a Rússia – muitos dos quais considerados quase intransitáveis graças às extensas florestas e zonas húmidas -, pretende-se instalar cerca de 600 bunkers. “A guerra na Ucrânia mostrou que retomar territórios já conquistados é extremamente difícil e acarreta um grande custo de vidas humanas, tempo e recursos materiais”, salientou Susan Lilleväli, subsecretária do Ministério da Defesa local: o projeto está orçamentado em 60 milhões de euros. “Além de equipamento, munições e mão de obra, precisamos de instalações físicas para defender os nossos países de forma eficiente”, indicou.
Os Estados Bálticos são há muito apontados como possíveis alvos de Putin, caso o presidente russo deseje lançar um ataque à NATO: se for bem-sucedido, as unidades russas podem invadir as três pequenas nações em poucos dias.
Após a invasão russa da Crimeia, em 2014, a NATO destacou batalhões operacionais multinacionais, vistos como uma força de “armação”, ou seja, concebida para atrair as nações aliadas para o conflito em vez de deter uma força de invasão russa. O estatuto de ‘armadilha’ tem merecido o protesto dos líderes civis e militares do Báltico.
A nova linha defensiva do Báltico está alinhada com a abordagem atualizada de “postura de defesa avançada e dissuasão por negação” da NATO, garantiu Lilleväli, “com o objetivo de defender cada centímetro do território aliado em todos os momentos”.
“Estas instalações servem, em primeiro lugar, o propósito de evitar conflitos militares na nossa região, pois podem potencialmente mudar o cálculo do inimigo”, reforçou Lilleväli. “As medidas de contramobilidade e de fortificação desempenharam um papel significativo nas guerras na nossa região ao longo da história, por exemplo na Finlândia, e como a guerra na Ucrânia demonstrou, são perfeitamente válidas também neste século.”
“As instalações devem negar ao inimigo a possibilidade de avançar rapidamente no território dos países bálticos e em caso de incursões militares impedir o avanço do inimigo já nas nossas fronteiras”, frisou.
As autoridades estónias planearam até agora os 600 bunkers. Estes serão fornecidos através de stocks próximos de equipamentos e munições. A maioria serão “adegas” cuboides de cimento construídas no solo com uma trincheira de tiro parcialmente coberta perpendicular à entrada. A Estónia quer que os primeiros bunkers sejam instalados a partir do início de 2025.
Os bunkers terão cerca de 35 metros quadrados e serão projetados para acomodar 10 soldados cada, além de todos os equipamentos necessários.














