Ucrânia: “Não precisamos desta guerra de cereais e a Polónia também não”, diz MNE ucraniano

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, disse hoje que a Ucrânia está determinada em resolver a crise relacionada com a exportação de cereais e que nem Kiev nem Varsóvia precisam de uma disputa sobre este assunto.

Executive Digest com Lusa
Setembro 28, 2023
18:21

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, disse hoje que a Ucrânia está determinada em resolver a crise relacionada com a exportação de cereais e que nem Kiev nem Varsóvia precisam de uma disputa sobre este assunto.

“A história, o futuro e a segurança simplesmente não nos deixam outra escolha senão sair desta crise. Não criámos esta crise e estamos absolutamente empenhados em acabar com ela”, afirmou Kuleba, em entrevista hoje divulgada pela agência Interfax-Ucrânia.



Segundo o chefe da diplomacia de Kiev, “as emoções estão em alta”, devido às eleições legislativas na Polónia em 15 de outubro, nas quais o partido no governo joga o futuro no poder, e “a temperatura pode ainda aumentar”.

“Estamos a trabalhar com a Comissão Europeia. Transmitimos sinais claros à Polónia sobre o nosso compromisso com uma solução construtiva para esta situação. Não precisamos desta guerra de cereais e a Polónia também não”, declarou.

As relações entre Kiev e Varsóvia, um dos principais aliados da Ucrânia, atravessam um momento tenso depois da decisão do Governo polaco de prorrogar as restrições à importação de produtos agrícolas ucranianos com o argumento de proteger os interesses dos agricultores polacos.

soluções não foram encontradas”, comentou, acrescentando que, tudo depende da vontade política e que Kiev tem esse desejo.

No entanto, reconheceu que narrativas falsas sobre a ingratidão ucraniana para com a Polónia podem representar riscos de segurança a longo prazo, ao semearem a desconfiança pública.

Kuleba sublinhou que a Ucrânia continua profundamente grata pela solidariedade e ajuda da Polónia desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022.

Na mesma entrevista, pediu mais armas ocidentais, como os mísseis norte-americanos ATACMS, para destruir as capacidades de produção russas, e sanções mais rigorosas contra Moscovo, incluindo o seu setor nuclear, e ainda a concessão de ativos estatais russos congelados à Ucrânia.

Dmytro Kuleba expressou confiança de que os Estados Unidos acabarão por fornecer mísseis ATACMS de longo alcance, chamando-o de “questão de tempo”, tal como aconteceu com sistemas de armas avançados anteriores, como o HIMARS, que Washington inicialmente hesitou em entregar.

O fornecimento de armamento ocidental, considerou, é urgente para impedir a produção contínua de novos mísseis e ‘drones’ pela Rússia que atingem cidades ucranianas. Salientou ainda que é mais barato para o Ocidente ajudar a destruir as fábricas de armas russas do que ajudar continuamente a reconstruir as infraestruturas civis da Ucrânia.

O chefe da diplomacia ucraniana disse que e as autoridades norte-americanas não criticaram o ritmo da recente contraofensiva da Ucrânia para recuperar território ocupado por russas durante a visita de alto nível do Presidente Zelensky aos Estados Unidos na semana passada e que, pelo contrário, reconheceram que se realizou “um milagre”, dadas as limitações de tentar superar as fortes linhas defensivas do inimigo.

“Os militares americanos avaliam a eficácia da contraofensiva não com base em comentários nas redes sociais e nos jornais, mas sim na realidade do campo de batalha. Eles compreendem que o que as Forças de Defesa Ucranianas alcançaram tanto no sul como no leste é um verdadeiro milagre militar, considerando todas as circunstâncias, tais como os campos minados e o domínio aéreo da Rússia, comentou.

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