O número de greves no sector privado supera os anos da troika em Portugal, avança o “Jornal de Negócios”. Em 2018, houve 144 greves no privado, o número mais alto desde 2006, mostram dados administrativos publicados pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério. Com as paralisações a subir 36%, o número de trabalhadores abrangidos aumentou 87% em termos homólogos, para 36,4 mil pessoas. Todavia, ficou aquém dos anos de greves gerais durante a troika, entre 2011 e 2014.
As questões salariais motivaram 28,7% dos protestos. Os protestos motivados por processos de negociação coletiva (22,6%), por condições de trabalho (15,8%) ou por questões ligadas ao emprego e à formação (4,5%) também tiveram expressão.
No ano passado, as paralisações implicaram a perda de quase 51 mil dias de trabalho, uma subida de 74% face a 2017. Durante o programa de ajustamento perderam-se, em 2012, quase 113 mil dias.
Os dados mostram, por outro lado, que o número de empresas com trabalhadores em greve mais do que duplicou, para 312. A contestação foi relativamente transversal, tendo afectado sobretudo a saúde (10,8 mil trabalhadores em greve) e os transportes (6,7 mil) e em menor grau diversas indústrias ou o comércio. Estes dados, esclarece o “Jornal de Negócios”, poderão incluir as empresas públicas, que seguem a lei laboral do privado quando em causa estão trabalhadores com contrato individual de trabalho.
A percentagem de greves em que as reivindicações foram «totalmente aceites» subiu para 7,9% no ano passado, enquanto em 2017 tinha sido de 1,2%. Os protestos que foram «parcialmente aceites» também aumentaram, desta vez para 26,8% (10,4% no ano anterior).






