Indiana Jones enfrentou exércitos, armadilhas e forças sobrenaturais para encontrar a Arca da Aliança. Fora do cinema, ninguém descobriu o lendário objeto bíblico. Mas uma equipa de arqueólogos acredita ter encontrado, na antiga cidade de Silo, vestígios de um edifício que poderá ter estado ligado ao local onde a Arca foi guardada há mais de três mil anos.
Os investigadores da Associates for Biblical Research (ABR), uma organização americana dedicada ao estudo da arqueologia bíblica, identificaram em Tel Silo, na Cisjordânia, as ruínas de uma estrutura monumental da Idade do Ferro. Segundo a equipa, a orientação e as proporções do edifício aproximam-se da descrição bíblica do Tabernáculo, o santuário onde a Arca da Aliança teria permanecido antes da construção do Templo de Jerusalém.
A descoberta não significa, contudo, que a Arca tenha sido encontrada. Também não prova que o edifício corresponda efetivamente ao Tabernáculo. O que os arqueólogos encontraram foram paredes e outros vestígios que, na interpretação da equipa responsável pelas escavações, reforçam essa possibilidade.
De acordo com o ’20 Minutos’, a estrutura está orientada de leste para oeste e apresenta uma divisão interior numa proporção de dois para um. Scott Stripling, diretor das escavações, considera que estas características são compatíveis com a organização do Tabernáculo descrita no Livro do Êxodo, que distinguia o chamado Lugar Santo do Santo dos Santos.
Nas imediações foram também descobertos mais de 100 mil ossos de animais, sobretudo de ovelhas, cabras e bovinos. Os investigadores defendem que a concentração de restos provenientes do lado direito dos animais poderá estar relacionada com práticas de sacrifício mencionadas no Levítico. Trata-se, porém, de uma interpretação da equipa, e não de uma confirmação independente de que os rituais descritos na Bíblia tenham ocorrido naquele edifício.
Fragmentos de cerâmica encontrados nas mesmas camadas arqueológicas foram datados da Idade do Ferro I, período durante o qual Silo terá sido um importante centro de culto israelita. A cidade, situada cerca de 30 quilómetros a norte de Jerusalém, é apresentada nos relatos bíblicos como o lugar onde o Tabernáculo permaneceu durante mais de três séculos.
A Arca da Aliança é descrita na Bíblia como um cofre revestido de ouro que guardava as tábuas com os Dez Mandamentos. Depois de ter acompanhado os israelitas durante o Êxodo, teria sido instalada no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo de Jerusalém.
A partir de determinado momento, porém, a Arca deixa de aparecer nos relatos bíblicos. Já não é mencionada na descrição da destruição de Jerusalém pelos babilónios, em 586 a.C., e não existem provas históricas que permitam determinar quando desapareceu ou qual foi o seu destino.
Ao longo dos séculos, multiplicaram-se as teorias. A Arca poderá ter sido destruída, roubada, escondida antes da invasão babilónica ou levada para outro território. Nenhuma dessas hipóteses foi demonstrada.
Também as conclusões apresentadas em Silo devem ser analisadas com prudência. A ABR assume como um dos seus objetivos investigar locais associados aos relatos bíblicos e procurar indícios da sua historicidade. Esse enquadramento não invalida os objetos ou estruturas encontrados, mas torna especialmente importante distinguir os vestígios arqueológicos das interpretações religiosas construídas a partir deles.
Por enquanto, a escavação oferece novas pistas sobre a dimensão religiosa da antiga Silo e sobre as práticas das populações que ali viveram. Quanto à Arca da Aliança, o mistério que inspirou arqueólogos, historiadores e Hollywood permanece intacto: ninguém sabe onde está — nem sequer se sobreviveu até aos nossos dias.














