Abusos sexuais na Igreja: Grupo VITA já recebeu 40 pedidos de ajuda de vítimas em apenas 2 meses

Em apenas dois meses desde que se estrou em atividade, o Grupo Vita recebeu cerca de 40 pedidos de ajuda de pessoas que dizem ter sido vítimas de abuso sexual em contexto da Igreja Católica.

Pedro Gonçalves

Em apenas dois meses desde que se estrou em atividade, o Grupo Vita recebeu cerca de 40 pedidos de ajuda de pessoas que dizem ter sido vítimas de abuso sexual em contexto da Igreja Católica.

O balanço foi feito pela coordenadora do grupo, a psicóloga Rute Agulhas, à Antena 1, onde a responsável também revelou alguns detalhes sobre o encontro de vítimas de abusos sexuais na Igreja em Portugal com o papa Francisco, ocorrido logo na quarta-feira, dia da chegada do sumo-pontífice a Lisboa, para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).



“Senti sempre muita disponibilidade”, começou por indicar Rute Agulhas, considerando que não houve “tentativa de apressar o momento”. “As pessoas falaram as vezes que quiseram, o tempo que quiseram.
Um momento muito emotivo, houve grande ativação emocional. Inclusive tivemos uma vítima que se sentiu mal, e teve que se assistida”, relatou.

Recorde-se que o Grupo VITA foi criado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) para concretizar e acompanhar a a resposta de apoio às vítimas de abusos sexuais em contexto eclesiástico e para prevenir novas situações de abuso sexual na Igreja Católica portugiesa, depois de ter findado o trabalho da Comissão Independente que investigou estes casos.

“O Papa olhava nos olhos cada uma das pessoas à medida que iam partilhando as suas histórias, com uma postura muito empática. Em alguns momentos baixou os olhos, estava ao lado dele e foi visível. Normalmente seguia-se uma palavra de validação ‘é muito duro, percebo’. Houve efetivamente empatia e validação das emoções de todas aquelas pessoas”, explica Rute agulhas, sobre o encontro de Francisco com as vítimas.

Sobre as 40 pessoas que contactaram o Grupo VITA desde maio, Rute Agulhas explica ao Observador que grande parte “são pessoas mais velhas”, vítimas de abusos ocorridos há “30, 40, 50,7 0 anos”. N maioria dos casos, era a primeira vez que falavam sobre o que tinham sofrido. Estas vítimas estão a ser encaminhadas para acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico, conforme os casos.

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