Bernard Arnault, dono da LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton SE e o homem mais rico do mundo, começou desde cedo a preparar os filhos para um dia lhe sucederem na liderança do grupo de artigos de luxo. Atualmente, os cinco descendentes já estão em plena ‘competição’ para disputar a sucessão do pai, que já os colocou em lugares de destaque para testar as capacidades de cada um.
Uma vez por mês, Arnault e os cinco filho têm um almoço na sede da empresa, onde durante hora e meia reveem apresentações e indicadores e discutem o futuro das marcas que compõem a empresa.
Para chegar aqui, foram décadas de preparação. Arnault ensinou matemática aos filhos, acompanhou-os em viagens de negócios, levou-os a negociações. O dilema foi ampliando: Quem assumirá depois o controle da LVMH, o mais conglomerado de luxo do mundo, avaliado em quase 500 mil milhões de dólares?
Em janeiro deste ano, a filha mais velha, Delphine Arnault, de 48 anos, parecia a escolha para dirigir a parte da empresa do mundo da moda, tendo sido nomeada CEO da Christian Dior. Poucos dias antes tinha sido Antoine Arnault a tornar-se CEO da empresa listada em bola que detêm a participação da família na LMVH.
No encalce destes dois estão os três filhos que resultaram do segundo casamento de Bernard Arnault. Alexandre, de 30 anos, é já o vice-presidente executivo da Tifanny & Co., contando com uma rede de parceiros e amigos que incluem o rapper Jay-Z e o cofundador do Twitter Jack Dorsey. Frédéric, de 28 anos, é CEO da Tag Heuer, enquanto o mais novo, Jean, dirige o Marketing e Desenvolvimento dos relógios da Louis Vuitton.
Todos estudaram nas melhores escolas que o dinheiro pode comprar, e tiverem acesso ás mesmas oportunidades. Arnault nunca deu indicação sobre quem será o sucessor, mas já disse que a decisão será tomada com base “no mérito”, recorda o Wall Street Journal.
Ao longo de várias décadas, Arnault liderou a empresa familiar com dois ‘braços-direitos’, Sidney Toledano, que dirigiu a Christian Dior, e Michael Burke, chefe da Louis Vuitton. Os dois responsáveis tiveram outro papel, talvez mais importante que dirigir aquelas que são porventura as duas maiores marcas do grupo: serviram de mentores e de exemplo para os filhos de Arnault, que trabalharam sob alçada de Toledano e Burke.
Já recentemente, Arnault resolveu reforçar o controlo da família sobre a LVMH e transformou a Agache, holding privada que controla a LMVH, numa ‘commandite’, uma estrutura empresarial francesa que se assemelha a uma sociedade limitada e que permite ao acionista maioritário exercer um poder significativo com uma participação relativamente pequena.
O bilionários criou também uma nova entidade, a Agache Commandite SAS, propriedade dos cinco filhos, cada um com participação de 20%,. Esta empresa está encarregada de fazer a gestão da Agache e desta forma por fim à liderança de Arnault na empresa. As decisões de grande impacto, como a dissolução da Agache, teriam de ter sempre a aprovação dos cinco filhos.
A nova empresa tem uma presidência que é rotativa, a cada dois anos, entre os filhos, que não podem vender as ações que têm durante 30 anos, sem aprovação unânime do conselho. Depois de passado esse período, só os descendentes diretos de Arnault poderão deter as ações.
Entre os irmãos, contam fontes próximas da família, é importante não transparecer uma ideia de competição, rivalidade ou conflito, sendo que até são evitadas discussões sobre quem é melhor a jogar ténis ou a tocar piano, até porque o pai “não aprovaria”.
Por outro lado, com uma concentração de maior poder na família, e o reforço da posição dos filhos, com toda a preparação que levou décadas, pode sempre acontecer que a sucessão direta de Arnault acabe nas mãos de um sexto agente inesperado.
“Mais do que tudo, ele é um homem pragmático. Temos de escolher que é o melhor num determinado momento, tendo em consideração os desafios. è o que ele faz com os líderes e responsáveis da empresa, e acho que é o que fará com os filhos. Não é assim tão certo que o futuro líer da LVMH será um dos filhos de Arnault. Em nenhum momento me disse, com todas as letras, ‘tenho de preparar os meus filhos para a minha sucessão”, aponta Toledo, pelo que o mistério sobre o futuro do maior conglomerado de marcas de luxo do mundo ainda é pouco claro, ainda que certamente brilhante.













