A Rússia está disposta a abandonar o seu objetivo de “desnazificação” e abrir caminho para que a Ucrânia entre na União Europeia, se o governo liderado por Volodymyr Zelensky mantiver a neutralidade militar, avança o Financial Times sobre os termos para a negociação para um cessar-fogo.
O FT cita fontes próximas sobre as negociações que adiantam que Moscovo e Kiev estão a analisar um acordo de paz que prevê que a Ucrânia não entre na NATO. Em troca Kiev pretende ter “garantias de segurança” do Kremlin.
“Estão a ser feitas consultas em vários temas importantes. A chave deste acordo são as garantias de segurança internacionais para a Ucrânia. E só com este acordo podemos terminar a guerra tal como a Ucrânia precisa”, sublinhou o assessor do presidente da Ucrânia, Mykhailo Podoliak, aos meios ucranianos.
A minuta deste pacto não contém referências a “desnazificação”, “desmilitarização” e proteção da língua russa na Ucrânia, algumas das razões que foram apontadas por Vladimir Putin para ordenar a invasão do país vizinho, e que desde o início do conflito têm sido justificadas pelo líder russo para prosseguir com a ofensiva militar.
O Financial Times refere que estas concessões que terão sido propostas pela Rússia devem-se à falta de progresso que as tropas russas estão a registar no terreno, onde têm enfrentado uma “resistência ucraniana mais feroz” do que o esperado.
Estas revelações sobre os termos para um cessar-fogo na guerra da Ucrânia surgem numa altura em que delegações de Moscovo e de Kiev estão reunidas na Turquia. O encontro em Istambul serve para retomar as negociações entre os dois lados e tem como propósito estabelecer um compromisso para acabar com o conflito.
As negociações entre a Rússia e a Ucrânia devem prolongar-se pela tarde e, dependendo do resultado, podem continuar amanhã.













