Do Dubai a Lisboa: guerra está a ‘empurrar’ milionários para o imobiliário português

Guerra no Médio Oriente está a provocar uma mudança rápida nos fluxos de investimento e residência de luxo, com cada vez mais milionários a procurar refúgio na Europa

Francisco Laranjeira

A guerra no Médio Oriente está a provocar uma mudança rápida nos fluxos de investimento e residência de luxo, com cada vez mais milionários a procurar refúgio na Europa — e Portugal surge como um dos destinos em destaque, segundo o ‘Bloomberg’.

A incerteza gerada pelo conflito, já no segundo mês, está a levar famílias, investidores e profissionais altamente qualificados a reconsiderar a sua permanência em cidades como Dubai ou Abu Dhabi, até agora vistas como refúgios de estabilidade. Em alternativa, destinos europeus como Espanha, França, Suíça — e Portugal — estão a captar um novo interesse.

Em Portugal, o impacto já é visível. O responsável da mediadora Fine & Country no país, Nuno Durão, revela que a procura por parte de clientes do Médio Oriente disparou logo após o início da guerra. “O número de contactos duplicou de um dia para o outro”, afirma, referindo-se a imóveis com valores médios a rondar os 2 milhões de euros.

Esta procura está, para já, concentrada em soluções temporárias — arrendamentos de curta duração ou habitação mobilada — enquanto os interessados avaliam a evolução do conflito. Ainda assim, há sinais de que algumas decisões poderão tornar-se permanentes, sobretudo se a instabilidade se prolongar.

Mais adiante, o ‘Bloomberg’ destaca que Portugal já está a ser escolhido como destino de relocalização por profissionais do setor financeiro baseados no Médio Oriente. Um gestor de private equity em Dubai terá mesmo optado por se mudar temporariamente para o país, depois de perceber que o conflito poderia durar mais do que o esperado.

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O padrão repete-se noutras geografias europeias. Em Londres, as rendas de luxo estão a subir com o aumento da procura, enquanto em Marbella e na Suíça cresce o interesse por propriedades de elevado valor. Em muitos casos, trata-se de expatriados ocidentais que tinham recentemente mudado para o Golfo e que agora procuram alternativas mais seguras.

Apesar deste movimento, os especialistas sublinham que a maioria das decisões ainda é de curto prazo. Mudar residência fiscal, transferir ativos ou estabelecer uma nova base familiar exige tempo, planeamento e adaptação — fatores que travam uma saída em massa imediata.

Ainda assim, a tendência é clara. “Todos vão olhar para Espanha, Itália, Portugal e França”, resume uma responsável do setor imobiliário de luxo, apontando para um regresso aos destinos europeus tradicionais, que tinham perdido protagonismo face ao crescimento de Dubai nos últimos anos.

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Num contexto de volatilidade geopolítica, Portugal surge assim como uma das opções preferenciais para quem procura estabilidade, qualidade de vida e um refúgio seguro — pelo menos enquanto a tempestade no Médio Oriente não acalma.

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