A liderança da Rússia está a fragmentar-se: acumulam-se os sinais de que a invasão não está a correr como o desejado, não só no campo de batalha mas também dentro do Kremlin. A possibilidade de a invasão da Ucrânia poder desestabilizar o poder de Vladimir Putin foi algo que analistas, tanto dentro e fora da Rússia, avançaram, ao mesmo tempo que diversos observadores concordaram que seria difícil derrubar Putin, uma vez que mantém o controlo estatal sob punho de ferro.
Mas existem sinais de instabilidade: o emblemático e veterano líder russo, Anatoly Chubais, responsável pelo plano de privatização pós-soviético e um dos responsáveis que recomendou ao antigo Boris Yeltsin que incluísse Putin no Kremlin, demitiu-se do cargo.
Também Sergei Shoigu, ministro russo da Defesa, está ‘desaparecido’ desde 11 de março e Elvira Nabiullina, governadora do Banco Central da Rússia, tentou renunciar do cargo assim que a guerra começou. Mas Chubais é, no momento, o funcionário mais alto a abandonar o chefe do Kremlin devido a discrepâncias em relação à atual “operação especial” na Ucrânia.
A agência estatal russa TASS informou ontem sobre a demissão de Chubais como assessor presidencial para relações com organizações internacionais no campo económico e financeiro. Foi também relatado que terá viajado para o exterior (confirmado pelo Kremlin) e terá sido visto a levantar dinheiro na Turquia em fotos nas redes sociais.
No entanto, a agência Bloomberg indicou que a razão pela qual o arquiteto das reformas económicas dos anos 90 tomou a decisão de deixar a Rússia é a sua discordância com a intervenção militar na Ucrânia. Rotulado como um dos “liberais” próximos ao presidente, Chubais ocupou vários cargos na administração, em empresas e manteve enorme influência nos círculos económicos do país.
Mas há mais elementos do Kremlin ‘desaparecidos: segundo o conselheiro da Presidência ucraniana, Mikhail Podoliak, também nada se sabe sobre o diretor dos serviços secretos (FSB), Alexander Bortnikov, o secretário do Conselho de Segurança, Nikolai Patrushev, e o chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira (SVR), Sergei Narishkin. “Aqueles que são bem visíveis são o ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov e o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov”, disse Podoliak.













