O escalar da tensão no conflito da Ucrânia, a subtil ameaça nuclear feita por Vladimir Putin, ao ordenar que as forças nucleares da Rússia ficassem em alerta máximo, e o controlo das centrais de Chernobyl e de Zaporizhzhya por parte das forças russas, fez aumentar drasticamente o receio do uso de armas nucleares e de nuvens radioativas na Europa.
Por esse motivo, nas últimas semanas disparou a procura por comprimidos de iodo nas farmácias de vários países europeus, nomeadamente os países do leste da Europa e da Escandinávia. Em Portugal também se registou um aumento da procura. Mas como pode o iodo ajudar a proteger de uma nuvem de radiação e quais os riscos associados ao seu consumo contínuo?
Um acidente nuclear envolve, entre outros aspetos, a libertação de substâncias como o iodo radioativo que pode aumentar o risco de cancro na glândula da tiroide. Apenas numa situação destas é aconselhável tomar os comprimidos de iodeto de potássio em doses muito altas de forma a bloquear a captação do iodo radioativo pela tiroide.
Há ainda outra questão a ter em conta ao procurar comprimidos de iodeto de potássio nas farmácias portuguesas. A dosagem indicada para minimizar a exposição a radiações nucleares é de 65 miligramas e essa dosagem não está disponível nas farmácias nacionais, como refere a Deco Proteste.
Em Portugal, só há um medicamento aprovado pelo Infarmed para ser utilizado após acidentes nucleares com libertação de iodo radioativo. No entanto, estes comprimidos não são comercializados e, em caso de desastre nuclear, compete ao Governo a decisão de distribuí-los às populações em risco.
No contexto de um acidente nuclear, os benefícios do bloqueio da tiroide através do iodeto de potássio superam largamente os riscos para as saúdes de todas as faixas etárias. Os riscos para a saúde podem incluir reações alérgicas leves, hipertiroidismo, autoimunidade induzida por iodo, bócio nodular tóxico e hipotiroidismo induzido por iodo.
Convém também realçar que o iodo pode ser encontrado em alimentos como o peixe, o marisco, mas também nos lacticínios. O consumo natural do iodo também pode ter um papel relevante. Uma pessoa que consuma alimentos com mais iodo estaria mais protegida dos efeitos adversos da radiação do que alguém que tenha défice de iodo.
Juan Carlos Galofré, um especialista da área da tiroide, afirmou ao La Vanguardia que “as consequências em Chernobyl foram piores do que em Fukushima porque no Japão consomem muito iodo”.













