A grave seca que afeta Portugal, Espanha e os estados do oeste dos Estados Unidos pode ser da responsabilidade da ‘El Niña’, o fenómeno natural que causou um arrefecimento anómalo do Pacífico oriental perto da costa sul-americana, e poderá estender-se até ao começo da Primavera, segundo revelou Juan Jesús González, físico e investigador em dinâmica atmosférica e porta-voz da Agência Estatal de Meteorologia, em declarações à agência EFE.
Este fenómeno natural tem causado alterações notáveis nas temperaturas globais e, especialmente, nos padrões de precipitação global. Além disso, faz parte do ciclo de Oscilação do Sul do ‘El Niño’ (ENSO), que se caracteriza por fases quentes e frias nas condições oceânicas e atmosféricas do Oceano Pacífico tropical.
“A seca é uma característica intrínseca do clima peninsular e este período de falta de chuva, que agora atingiu um mês e meio, é mais ou menos normal. O que é anormal é que as previsões indicam que até março não haja um cenário claro de chuvas”, explicou González.
O atual período de seca na Península Ibérica é a consequência de um bloqueio anticiclónico que provocou uma ausência prolongada de precipitação, assim como forte oscilação térmica, com mais de 25ºC de diferença entre a temperatura máxima e mínima em alguns pontos.
Se a chuva tardar em chegar, podemos começar a falar de algo “anómalo”, revelou o especialista em dinâmica atmosférica. Esta situação de seca está também a afetar outras áreas do mundo, inclusivamente de forma “mais notável”, especialmente as mais próximas do Oceano Pacífico, como o oeste dos Estados Unidos e os países da América Latina, mas também Marrocos.



