Apesar da retirada de soldados russos na fronteira com a Ucrânia, que foi anunciada esta terça-feira, Augusto Santos Silva, o ministro dos Negócios Estrangeiros, indica que todos os cenários estão em aberto nesta altura.
Numa entrevista à Rádio Renascença, o ministro mostrou-se satisfeito com os “desenvolvimentos positivos” registados, mas que estão a ser acompanhados por “sinais muito negativos”.
“Esse desenvolvimento (a retiradas de militares russos) é positivo. O problema é que há sinais contraditórios, portanto devemos manter-nos preparados para todos os cenários”, realçou Santos Silva.
“Ainda ontem o meu colega russo disse que havia respostas insatisfatórias por parte da NATO, mas que havia caminho para progredir. Ainda ontem o primeiro-ministro britânico se referiu a uma janela diplomática que era estreita, mas ainda estava aberta. Hoje, o chanceler alemão está em Moscovo. Tudo isso são desenvolvimentos positivos porque permite-nos pensar que no plano político e diplomático há coisas que acontecem”, destacou.
“Mas ao mesmo tempo a concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia e a magnitude dos exercícios conjuntos da Rússia e da Bielorrússia, muito perto da fronteira da Bielorrússia com a Ucrânia, são sinais muito negativos. Há uma lógica de intimidação que é inaceitável”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros.
Augusto Santos Silva considera que para haver uma evolução positiva da situação tensa na Ucrânia “teríamos de ter uma clarificação da posição política russa, algo que só o presidente Putin está em condições de fazer, se quiser”.
Maioria dos cidadãos com nacionalidade portuguesa quer ficar na Ucrânia
Sobre os cidadãos com nacionalidade portuguesa que estão na Ucrânia, o MNE assinalou que “até agora, a resposta maioritária é de pessoas que querem permanecer na Ucrânia”. Santos Silva acrescentou ainda que “é preciso de ter em atenção que temos mais de duas centenas de titulares de nacionalidade portuguesa residentes na Ucrânia, mas a grande maioria deles são cidadãos luso-ucranianos”.
O responsável pela diplomacia portuguesa esclareceu que apenas uma fração “muito pequena” desses cidadãos vive perto da fronteira com a russa, a zona mais suscetível em caso de conflito. O ministro confirmou também que há planos de contingência para a retirada dos cidadãos com nacionalidade portuguesa caso o pior cenário se concretize.








