Camionistas e motoristas de pesados de toda a Europa estão a planear um ‘Comboio da Liberdade’ para protestar contra as políticas restritivas da Covid-19. Mas Portugal não deve aderir às ações.
“Temos conhecimento de que está a ser organizado um protesto, mas não está identificada a organização, o que logo à partida nos merece sempre reservas e não estamos envolvidos”, começa por referir José Manuel Oliveira, coordenador da Fectrans.
Em declarações à Multinews, o responsável confirma que “recebemos esse convite que não está identificado, diz apenas ‘a organização’, sem referir a estrutura, e quem não se quer identificar nota que não está de consciência tranquila no movimento que está a ser desenvolvido”, afirmou.
“Por isso nem sequer respondemos, nem o vamos fazer”, disse o coordenador da Fectrans, adiantando que não tem conhecimento de que algum organismo português adira aos protestos.
Mesmo que houvesse uma identificação, o responsável refere que “não seria expectável que houvesse uma posição diferente da nossa parte, mas certamente poderia haver uma resposta a justificar o porquê de considerarmos que este não é um movimento em defesa da melhoria das condições de trabalho dos motoristas”.
“Nós achamos, acima de tudo, que os motoristas, camionistas e qualquer trabalhador deste país, no quadro da pandemia que existe, devem ser protegidos, os países devem criar todos os mecanismos de proteção, em particular dos motoristas que saltam de país para país”, defende.
José Manuel Oliveira insiste que “o que é preciso é proteger a saúde e as condições de trabalho de quem efetivamente desenvolve esta profissão. E neste movimento de motoristas as questões que se colocam parecem-nos ser outras”, disse sem querer detalhar mais.
A par disso, acrescentou, “neste momento em Portugal já não estão em vigor restrições puras e duras, há apenas algumas medidas de proteção que até estão em vias de ser aliviadas e, por isso, na nossa opinião não se justifica aderir ao protesto”, concluiu.
A Multinews contactou também a Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) e a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), para saber a sua posição sobre o assunto, mas até ao momento ainda não obteve resposta.
Em causa está uma marcha em Bruxelas, marcada para o dia 14 de fevereiro, sendo que a polícia já se encontra a acompanhar a situação. O protesto é inspirado nas manifestações que atualmente ocorrem no Canadá.
Milhares de pessoas e centenas de camiões estão a bloquear o centro da capital canadiana desde o passado dia 29 de janeiro, exigindo o fim dos mandatos obrigatórios de vacina.
O ‘Freedom Convoy’ está agora a inspirar os oponentes europeus da vacinação obrigatória e das políticas restritivas da Covid-19. Em apenas uma semana, 40 mil pessoas integram um grupo intitulado ‘World Freedom Convoy’ (‘Comboio da Liberdade Mundial’) na rede social Signal, uma aplicação com mensagens criptografadas.












