“Não haverá venda de lítio em bruto, será todo processado em Portugal.” Ministro do Ambiente dá luz verde para exploração mineira em seis locais do país

Ministério do Ambiente tem 60 dias para preparar os documentos do concurso que vai contar com quatro regras essenciais

Francisco Laranjeira

João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, vai abrir concurso público nos próximos 60 dias para a exploração de lítio nas seis zonas que o Governo destinou para o efeito.

“Portugal é o país da Europa com as maiores reservas de lítio. O Governo não tem um projeto de fomento mineiro mas temos condições para ter a primeira refinaria de lítio da Europa, um elemento que é indispensável para o fabrico de baterias”, explicou esta sexta-feira o ministro. “Sem o lítio, não é possível a digitalização e descarbonização.”

Das oito áreas com potencial de existência de lítio, seis acabam de ser aprovadas para exploração, concluiu a avaliação estratégica ambiental, promovida pela Direção Geral de Energia e Geologia. O procedimento concursal, e consequente prospeção, para as zonas de Seixoso-Vieiros, no distrito de Braga, e outras cinco na zona da Guarda, depois da exclusão da zona de Arga e Segura, vai arrancar.

“Estamos a preparar o concurso para estes seis lotes, num processo singular – não há memória de o Estado lançar um concurso de um recurso que é de todos nós”, explicou Matos Fernandes.

O concurso vai ter em linha de conta quatro aspetos essenciais. “Terá de ser apresentado um programa de investimentos, um programa geral de trabalhos, um projeto industrial e um plano de benefícios fiscais – 50% dos royalties da exploração vão passar para as mãos das autarquias, em vez de irem parar a 100% para o Estado”, frisou o ministro, garantindo: “Não vamos vender em bruto, todo o lítio será processado em Portugal.”

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