A energia nuclear e o gás serão “verdes” para a União Europeia, pelo menos em termos de investimento – uma intenção anunciada há várias semanas e hoje reafirmada pela Comissão Europeia. Depois intensas disputas, queixas ao mais alto nível aos mais diversos governos e também ao Parlamento Europeu, a Comissão Europeia acaba de reafirmar a sua proposta, apresentando o conjunto de critérios para classificar todas as atividades que podem ser definidas como “sustentáveis” do ponto de vista climático. Trata-se de uma classificação necessária para que essas atividades possam beneficiar do Fundo Europeu de Recuperação, que prevê que 40% dos recursos sejam usados para a transição verde.
Mas tudo se complicou desde que se soube das exigências apresentadas por alguns países. É o caso da Alemanha e da França, que há muito fizeram saber que não prescindiam da inclusão da energia nuclear neste pacote – depois de assinalarem que, apesar dos problemas gerados por estes resíduos altamente perigosos, a sua produção não contribui para a carbonização e, por conseguinte, ajuda os ambiciosos objectivos de redução de emissões da UE para 2030 e 2050. Outros países fizeram igualmente finca-pé na manutenção do gás como energia verde – embora por outras razões.
“A nossa missão e obrigação é a neutralidade climática. Precisamos de agir agora se quisermos cumprir as nossas metas de 2030 e 2050. A lei aprovada hoje trata de acompanhar a economia da UE na transição energética, uma transição justa, como ponte para um sistema de energia verde baseado em fontes de energia renováveis. Irá acelerar o muito necessário investimento privado, especialmente nesta década. Com as novas regras estamos também a reforçar a transparência e a divulgação de informação, para que os investidores tomem decisões informadas, evitando assim qualquer ‘lavagem verde'”, assinalou o vice-presidente da Comissão Valdis Dombrovskis, fazendo assim orelhas moucas aos protestos.
Perante isto, a primeira reação oficial conhecida é do Luxemburgo, que voltou ameaçar mais uma vez tomar medidas legais contra a decisão – e que conta com a Áustria e Dinamarca do seu lado. Mas para que o ato seja recusado é preciso que 20 países votem contra, bem como a maioria do Parlamento Europeu. Uma luta que pode arrastar-se durante meses.













