Uma mulher infetada com HIV (o vírus da sida) e que contraiu o Covid-19, sofrendo da doença durante nove meses, viu o vírus respiratório desenvolver pelo menos 21 mutações no seu organismo, concluiu um estudo sul-africano citado pela ‘Bloomberg’.
A mulher em causa não fazia qualquer tratamento para o HIV, o que teve influência na evolução das mutações, de acordo com a pesquisa liderada por cientistas de Stellenbosch e da Universidade a Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul, que não foi revista por pares.
O estudo revelou evidências de que a Covid-19 pode sofrer mutações rapidamente, quando contraída por imunossuprimidos, nomeadamente aqueles que não tomam medicamentos para tratar o HIV, o que pode levar ao desenvolvimento de novas variantes.
Recorde-se que a variante Beta, com a qual a paciente do estudo estava infetada, foi descoberta na África do Sul. O mesmo aconteceu com a Ómicron, atualmente dominante em Portugal e em grande parte do mundo.
“Este caso, como outros anteriores, descreve um caminho potencial para o surgimento de novas variantes”, disseram os cientistas. “A nossa experiência reforça relatos anteriores de que o tratamento antirretroviral eficaz é a chave para controlar esses eventos”, acrescentaram.
A África do Sul tem a maior epidemia de HIV do mundo, com 8,2 milhões dos seus 60 milhões de habitantes infetados com o vírus, o que enfraquece o sistema imunológico. A África Subsaariana engloba cerca de 70% das infeções por HIV no mundo.
O coronavírus contraído pela paciente no estudo desenvolveu pelo menos 10 mutações na proteína spike, que permite que se ligue às células, e outras 11 mutações, disseram os cientistas.
Algumas das alterações foram comuns àquelas observadas nas variantes Ómicron e Lambda, enquanto algumas foram consistentes com mutações que permitem que o vírus evite anticorpos.













