Vai surgir uma nova cratera na lua no próximo dia 4 de março – isto porque o foguetão SpaceX Falcon 9, abandonado, está em rota de colisão com o satélite natural da Terra. O foguetão foi lançado em 2015, transportando a sonda ‘Deep Space Climate Observatory’ (DSCOVR) da NASA a uma posição de 1,5 milhões de quilómetros da Terra, de frente para o Sol. Mas o estágio superior do foguetão não tinha velocidade suficiente para escapar a uma órbita independente ao redor do Sol e foi abandonado sem opção de regressar à atmosfera terrestre – o que seria a prática normal, permitindo que fosse queimado na reentrada, reduzindo o lixo perigoso no espaço próximo à Terra.
Com 14 metros de comprimento, e com quase quatro toneladas, o SpaceX Falcon 9 está numa ampla órbita em redor da Terra e os seus movimentos têm sido difíceis de prever porque têm sido influenciados pela gravidade lunar e solar, bem como pela da Terra. Mas seguro é que vai atingir a Lua a 4 de março, a uma velocidade de cerca de 2,6 quilómetros por segundo, o suficiente para criar uma cratera com cerca de 19 metros de diâmetro – um impacto que tem merecido muitas críticas.
A ‘Lunar Reconnaissance Orbiter’ já conseguiu fotografar uma cratera de 19 metros quando um asteroide de meia tonelada, a uma velocidade 10 vezes superior à do Falcon 9, que atingiu a superfície lunar em 2013. Na última década, centenas de impactos menores, por pedaços de rocha com menos de meio quilo, já foram detetados pelo projeto de monitorização de impacto lunar da NASA.
O próximo impacto será no lado lunar, então não o poderemos ver acontecer. Mas não é o primeiro caso. Um acidente deliberado e precisamente direcionado também foi criado em 2009, quando a missão LCROSS da NASA enviou um projétil numa cratera polar permanentemente na sombra – o que criou uma cratera menor no seu chão gelado e lançou uma nuvem que provou conter o esperado vapor de água.
Não é a cratera na Lua que preocupa, o que deve preocupar é contaminar a superfície lunar com micróbios vivos ou moléculas que no futuro possam ser confundidas como evidências de formação de vida na Lua. A maioria das nações assinou protocolos de proteção planetária que procuram minimizar o risco de contaminação biológica da Terra para outro corpo celeste, protocolos que estão em vigor por razões éticas e científicas.
A maior violação recente dos protocolos COSPAR foi em 2019, quando a sonda lunar israelita Beresheet, com financiamento privado, caiu na Lua, carregando amostras de ADN e milhares de tardígrados. No entanto, o Falcon 9 não era estéril no lançamento mas também não carregava carga biológica. Já passou sete anos no espaço, pelo que o risco de biocontaminação é muito pequeno.












