Covid-19: transmissão pode ter picos sazonais em função da temperatura e humidade, aponta estudo

Regiões mais frias terão mais casos no inverno ao passo que as regiões mais quentes terão transmissões mais elevadas no verão

Francisco Laranjeira

A transmissão da Covid-19 pode ter picos sazonais ligados à temperatura e humidade, podendo aumentar em diferentes épocas do ano para diferentes locais, segundo revelou um novo estudo. Regiões mais frias podem ter mais casos durante o inverno ao passo que as regiões mais quentes podem ter transmissões mais elevadas no verão. Em caso de zonas mais temperadas, pode experimentar dois picos sazonais.

“A Covid-19 pode estar a tornar-se endémica, o que significa que vai permanecer na população humana, mas veremos picos com base onde estamos num determinado ponto geográfico”, apontou Antar Jutla, hidrólogo da Universidade da Flórida e autor do estudo. “A gravidade dos picos será definida por quão será mais fria ou quente a temperatura.”

O estudo revelou que os casos da Covid em 19 pontos quentes em todo o mundo aumentaram acima e abaixo de certos limites de temperatura e humidade devido ao comportamento humano e ao movimento do vírus como aerossol – os números de casos aumentaram quando as temperaturas do ar caíram abaixo dos 17 graus Celsius ou acima dos 24 graus Celsius. O vírus também tende a permanecer mais em ambientes secos em comparação com os húmidos.

“Precisamos desenhar as estratégias de intervenção ou mitigação com base no ambiente em que vivemos”, resumiu Antar Jutla. “Regiões como a Flórida, Índia, África… são regiões quentes e basicamente serão atingidas por essas ondas mas em momentos diferentes das regiões a norte, mais frias.”

Embora o número de casos possa aumentar durante eventos extremos de temperatura, estes precisam persistir por cerca de 14 dias, lembrou Jutla, cuja equipa de investigadores validou dados até dezembro de 2021, embora as características possam mudar com novas mutações ou outras variantes do coronavírus.

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A humidade e a temperatura locais desempenham papéis vitais no tamanho de partículas do vírus, o que pode influenciar a sua vida útil no ar. “O comportamento humano é um fator muito importante na transmissão”, disse Chang-Uu Wu, professor da Universidade da Flórida. “Não é apenas a física ou a biologia [do vírus], é a sua combinação.”

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