O antigo ministro social-democrata Jorge Moreira da Silva apresenta esta quarta-feira o lançamento da sua candidatura à liderança do PSD, após ter adiado em virtude das cerimónias fúnebres da atriz Eunice Muñoz, que decorreram na segunda e terça-feira.
A sessão de apresentação da candidatura à liderança do PSD de Jorge Moreira da Silva, que estava prevista para segunda-feira, acontece assim hoje pelas 11:00, no Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa.
Moreira da Silva confirmou na semana passada que será candidato à liderança social-democrata pelo momento difícil que o partido e o país atravessam e por entender ter um “projeto capaz de renovar” o PSD.
Em comunicado, Jorge Moreira da Silva começou por anunciar a sua demissão das funções de Diretor da Cooperação para o Desenvolvimento, na OCDE, cargo que ocupava desde 2016, em Paris, e cujo exercício seria incompatível com a sua candidatura.
“Candidato-me à liderança do PSD por sentido de responsabilidade – atendendo às circunstâncias difíceis que tanto Portugal como o PSD enfrentam – e animado pela firme convicção de que sou portador de um projeto capaz de renovar o PSD, libertar o potencial de Crescimento Sustentável em Portugal e assegurar que os portugueses reconquistam o seu pleno Direito ao Futuro”, referiu.
O responsável é o segundo candidato anunciado à sucessão de Rui Rio nas eleições diretas marcadas para 28 de Maio, depois de Luís Montenegro ter confirmado que irá disputar a liderança do PSD.
Esta é a primeira candidatura de Jorge Moreira da Silva à presidência do PSD, ao contrário de Luís Montenegro que vai disputar o cargo pela segunda vez, depois de em Janeiro de 2020 ter perdido para Rui Rio, numa inédita segunda volta no PSD.
Nas últimas diretas, em Novembro do ano passado, o antigo ministro de Pedro Passos Coelho ponderou avançar contra o eurodeputado Paulo Rangel, mas acabou por não o fazer depois de o ainda presidente do PSD, Rui Rio, ter confirmado a recandidatura.
Jorge Moreira da Silva era, até então, diretor para a Cooperação e Desenvolvimento na OCDE em Paris, onde liderava o secretariado do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento, e presidia ao think-tank Plataforma para o Crescimento Sustentável, que fundou há dez anos e que reúne cerca de 500 pessoas de diversos quadrantes.
Em Setembro do ano passado, apresentou um livro intitulado Direito ao Futuro no qual defendeu que se deve discutir “menos partidarite e mais políticas públicas”, e quais as características necessárias a uma liderança em vez dos nomes dos líderes.
Moreira da Silva tem 50 anos foi líder da Juventude Social-Democrata (entre 1995 e 1998), deputado, eurodeputado, e primeiro vice-presidente do PSD, durante a liderança de Pedro Passos Coelho, tendo sido no seu Governo ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia.
Em Novembro de 2020, defendeu a realização de um congresso extraordinário do PSD para clarificar a estratégia de “coligações e entendimentos” da direção de Rui Rio e atacou a “traição” aos valores do partido pela solução governativa nos Açores, com o Chega.
Foi diretor da área de Economia da Energia e das Alterações Climáticas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, secretário de Estado Adjunto da Ministra da Ciência e do Ensino Superior e consultor do Presidente da Cavaco Silva nas áreas da Ciência, Ambiente e Energia, entre 2006 e 2009.
Recebeu a insígnia Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, atribuída por este chefe de Estado, e a Comenda de Mérito Civil, atribuída pelo rei de Espanha. Tem vários livros publicados sobre a temática das alterações climáticas e das políticas públicas.
O atual presidente do PSD, Rui Rio, que ocupa o cargo desde Janeiro de 2018, já anunciou que deixará a liderança do partido depois da derrota nas legislativas de 30 de Janeiro. As eleições diretas para escolher o seu sucessor foram marcadas em Conselho Nacional para 28 de Maio e o Congresso vai realizar-se entre 1 e 3 de Julho, no Porto.













