Depois de um ano recorde em 2021, as transações de private equity diminuíram aproximadamente 26% em valor e 15% em número no ano passado. No entanto, e apesar de grande parte do setor sentir o abrandamento da atividade, 2022 foi o segundo ano com o maior número de transações de que há registo.
Os dados divulgados pela McKinsey & Company no seu Global Private Markets Review 2023 mostram a análise feita à evolução e desempenho do setor que abrange capitais de risco, imobiliário, dívida, infraestruturas e recursos naturais.
Constata-se que, no total, as empresas de private equity concluíram menos 2.639 aquisições no ano passado, uma diminuição na ordem dos 14% em relação ao ano anterior, e o valor médio por transação diminuiu cerca de 7%.
A McKinsey aponta o aumento da inflação e das taxas de juro, a invasão russa na Ucrânia e a queda das cotações em bolsa, o que levou ao aumento das contribuições dos parceiros para os mercados privados, como fatores adversos que influenciaram este desempenho.
O relatório revela também que 2022 foi um ano de grandes contrastes geográficos no que respeita ao levantamento de capital, com destaque para a América do Norte que aumentou 2% em comparação com o ano anterior. Por outro lado, na Ásia e na Europa caiu cerca de 39% e 28%, respetivamente.
“Uma das razões para esta queda no levantamento de capital na Ásia, particularmente na China, é o rápido aumento consecutivo ao longo de vários anos até 2017 e que levou a uma grande quantidade de liquidez disponível para as empresas. A resposta foi um abrandamento no levantamento de capital na Ásia com o objetivo de investir a sua liquidez excedentária. Além disso, as consequências da pandemia de COVID-19 e dos confinamentos prolongados na China também tiveram impactos negativos no levantamento de capital”, diz Alejandro Beltrán, sócio sénior da McKinsey e líder global da Prática de Private Equity.
Tomeu Palmer, sócio da McKinsey e líder da Prática de Private Equity & Principal Investors na Península Ibérica, considera que “embora 2022 tenha sido um ano moderado para os mercados privados e os níveis de levantamento de capital em private equity tenham caído 15% vs. 2021, o dry powder (capital disponível) global continua a aumentar e há provas de que os limited partners (LP) continuam mais poderosos do que na última recessão, em 2008, e mantêm uma visão de longo prazo”.
O relatório sublinha ainda que, no campo dos investimentos sustentáveis, registou-se um crescimento em relação a outras áreas, com 2022 no bom caminho para ser o melhor ano de sempre para os chamados fundos ambientais, sociais e de governação (ESG), com 23,6 mil milhões de dólares angariados na primeira metade de 2022.
Para além disso, os investimentos relacionados com a sustentabilidade aumentaram 11%, em contraste com a quebra de 14% no private equity face ao ano anterior.
“No ano passado, houve desafios para os mercados privados, que se materializaram em rendimentos erodidos em relação ao ano anterior, mas também assistimos a grandes desenvolvimentos no setor. A transição energética continua a aumentar e isto atrairá níveis crescentes de capital no espaço da energia e sustentabilidade”, conclui Tomeu Palmer.




