Por Jorge Farromba
Escrever sobre a produção de um modelo construído em Portugal poderia/deveria ser algo mais banal pois historicamente somos um país de empreendedores e conquistadores e tivemos já alguns modelos portugueses.
Poder ter a produção de um modelo a ser produzido na AutoEuropa, que já tem um percurso de 30 anos é notável. Significa que conseguimos ser eficientes e competitivos na sua produção ao nível global.
E, foi isso mesmo que o diretor geral da AutoEuropa Thomas Hegel Gunther, num português quase perfeito, nos transmitiu. A VW Sharan, em descontinuação, está a dar lugar ao T-Roc, onde só em 2021 foram produzidas 210.754 unidades, com impacto direto de 1,5% no PIB e com um contributo de 5% nas exportações nacionais e, no particular deste novo modelo, com Alemanha, Itália e França como os países recetores. Fiquei também a saber que a logística de distribuição funciona via rodovia ou ferroviária para o porto de Setúbal.
Mas o T-ROC, além de ser o modelo VW mais vendido em Portugal, tem um capital acumulado de mais de um milhão de unidades vendidas. Daí que a Autoeuropa e a VW queiram com este novo T-ROC melhorar aquilo que consumidores e jornalistas mais se referiram a ele como potenciais melhorias, colocando-lhe novas propostas, maior qualidade, mais design, experiência de condução e maior digitalização e conectividade.
Foi por isso com satisfação que, na visita à fábrica pudemos comprovar o alto nível de automatização mas também o respeito pelas boas práticas laborais e os (enormes) cuidados na segurança e ergonomia dos seus colaboradores, numa fábrica onde o ruído é quase inexistente, tais os cuidados com insonorização, mesmo na área mais robotizada. E, numa fábrica que labora 24h dia para um modelo de volume, a Autoeuropa consegue manter a sua produção numa linha única de produção (onde convive a Sharan com o T-ROC), mesmo que, alguns veículos não fiquem totalmente completos – missing parts – e, nesses casos, ficam a aguardar em parque a chegada das peças ou componentes necessários. Interessante também perceber o envolvimento da marca num projeto de proteção climática.
Desta visita percebemos o alto grau de automatismo, os cuidados com a qualidade do produto final, por exemplo, o cockpit único feito ao lado da fabrica noutra empresa – SAS -, nos testes de pista dentro da Autoeuropa, e nos 30% de automóveis que fazem testes de estrada. Tudo em prol da qualidade final do produto.
Uma menção também para o armazém de abastecimento que possui características inovadoras, no abastecimento da fábrica, bem como, os AGV (automated guided vehicle) que abastecem a linha de montagem. Toda a visita às instalações por questões de segredo industrial, não permitiram a captação de imagens, como compreensível.
Posteriormente ficámos a conhecer mais em detalhe quem é afinal o novo T-ROC.
• Possui motores oriundos da Alemanha e Polónia;
• A marca VW segmentou o setor dos SUV com o Taigo, T-ROC e Tiguan para públicos bastante diferenciados;
• Previsão vendas em PT: 5.000unidades
• T-ROC não possui híbridos, mas somente viaturas a gasolina
• 40% volume de vendas será feita a particulares
• Criação de uma versão especial T.ROC@pt para assumir ainda mais a Portugalidade do modelo.
E afinal quais foram as diferenças face ao anterior?
Bom, a marca identificou 4 personas (como pessoa do marketing adorei a apresentação)
• Famílias aventureiras
• Solteiros
• Jovens aspiracionais
• Famílias seniores
onde claramente todas elas possuem detalhes próprios que a VW conseguiu – e bem – incorporar no T-ROC e onde a unanimidade das personas identificadas neste segmento pretendem motores a gasolina. E curiosamente a marca consegue “encaixar” as 4 personas neste modelo – e comprovo isso mesmo.
Em termos exteriores:
• Novo design da grelha do radiador e novos para-choques
• Faróis e Luzes diurnas em LED
• Faixa de luz na grelha do radiador
• Novas JLL
• Novas cores
• Faróis traseiros em LED
No interior um upgrade face ao anterior T-ROC nascido em 2017
• Painéis das portas em “Slush” pespontados, assim como, no tablier
• Novo volante
• Brancos ergoactive
• AC com função touch
• Novo sistema de infotainment
E, juntamente com isto várias definições de produto (versões)
• T-ROC
• LIFE que depois deriva para o Style (luxo) ou R-Line (desportiva)
Motores
• 1.0 110Cv
• 1.5 150 DSG
Versão “portuguesa”
• T.ROC@pt a versão que incorpora detalhes que os Portugueses mais valorizam (desde vidros escurecidos nas portas traseiras, a determinadas JLL, à ausência de sistema navegação mas com uma app que permite espelhar o telemóvel e, em consequência o WAZE ou google Maps e que só aqui permite baixar o preço em 600€.
Em termos de preço a VW demonstrou-nos que, mesmo incorporando mais qualidade no seu produto e mais equipamento (percecionado em 2.000€) a marca consegue manter o preço face aos modelos anteriores que começam nos 28.000€ até aos 38.000€ ou com o “especial T-ROC R 300cv por 56.500€.
E em estrada?
Tivemos oportunidade de efetuar um ensaio dinâmico de 60 minutos pela Arrábida onde deu para compreender esse acréscimo na qualidade percecionada e sentida; um modelo robusto, ergonomicamente bem desenhado, com uma usabilidade de realçar e com amplo espaço interior. O comportamento do 1.0 é o de um familiar em termos de andamento, mas competente e confortável (conforto alemão – mais rijo – que aprecio) na hora de o inserir em curva.
A VW tem assim um mais um modelo competente capaz de competir neste exigente mercado dos SUV, seja com esta proposta ou com o TAIGO, modelos suficientemente interessantes, apelativos e competentes.













