A presidente do Parlamento Europeu (PE) Roberta Metsola frisou esta segunda-feira que “a democracia europeia”, as “democracias abertas” e o parlamento estão “sob ataque”, ao comentar a detenção da vice-presidente Eva Kalli.
Metsola confessou, “sem exagero”, que os últimos dias “foram os mais longos” da sua carreira e mostrou-se cautelosa com as expressões que usa. “Devo escolher as minhas palavras cuidadosamente para não prejudicar as investigações e manter a presunção da inocência”, frisou.
Apesar de a investigação estar a decorrer, realizou-se hoje uma sessão de trabalho no Parlamento Europeu que não pretende parar embora esteja a passar por um escândalo. Como tal, a presidente do PE mostrou-se disponível para colaborar com autoridades durante “o tempo que for necessário”.
No seu discurso, deixou claro que as acusações “não se prendem com partidos ou Norte ou Sul da Europa”, assegurando que vai “combater a corrupção e defender certos valores” partilhando que está “determinada em ultrapassar este teste”.
Ao garantir que os responsáveis vão ser identificados e que pretende “perceber de que forma estas organizações têm acesso não só aos membros do PE como a organizações não governamentais”, a política maltesa comentou: “Não estamos a varrer nada para debaixo do tapete, todos os factos vão ser revelados e entregues às autoridades”.
Nestes que são “momentos desafiantes para todos”, Metsola apelou à “ajuda dos eurodeputados” para que os atos ilícitos possam ser descobertos e as pessoas detidas. “Estou muito desapontada”, lamentou porém reiterando que “juntos sairemos mais fortes”.
“Fúria, raiva e dor”, foram as palavras utilizadas por Metsola para expressar o que sente em relação ao sucedido, provocado por “inimigos da democracia”. “Estes atores malignos instrumentalizaram indivíduos e membros para os seus planos malévolos”, exprimiu a presidente, salientando que os seus “planos falharam”.
A responsável comunitária disse ainda que irá trabalhar no sentido de “dar mais meios a quem tenha informações para denunciar” e deixou uma mensagem para países terceiros “que possam pensar que podem comprar eurodeputados ou Organizações Não Governamentais”: “Os eurodeputados são europeus e não vão permitir esse tipo de suborno”, advertiu.
Estas declarações ocorrem após a detenção da vice-presidente do Parlamento Europeu e três outras pessoas, incluindo o seu companheiro o italiano Francesco Giorgi, acusadas de “participação numa organização criminosa, branqueamento de capitais e corrupção”. Como consequência, esta segunda-feira, a Grécia decidiu congelar os seus bens bem como dos familiares mais próximos.











