“De que parte de África é?”: Madrinha do príncipe William acusada de racismo durante evento em Buckingham

Ngozi Fulani, diretora da associação Sistah Space, sedeada em Londres, contou nas redes sociais que foi abordada por Lady Susan Hussey, uma das aias mais antigas da Coroa inglesa e madrinha do príncipe William.

Pedro Zagacho Gonçalves

Lady Susan Hussey, uma das mais próximas assistentes da rainha consorte, mulher do rei Carlos III de Inglaterra, está envolta numa polémica que a obrigou a afastar-se das suas funções no Palácio de Buckingham, acusada de racismo. Hussey terá perguntado a uma mulher inglesa negra de que parte de África é que tinha vindo.

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O episódio ocorreu durante um evento de caridade no Palácio de Buckingham, do qual Susan Hussey era uma das organizadoras, e que reunia várias associações de combate à violência contra mulheres. Ngozi Fulani, diretora da associação Sistah Space, sedeada em Londres, contou nas redes sociais que foi abordada por Lady Susan Hussey, uma das aias mais antigas da Coroa inglesa e madrinha do príncipe William.

A conversa, segundo a inglesa, deixou-a “chocada” e lamentou não ter podido relatar em primeira-mão o ocorrido à rainha consorte, responsável pelo evento de caridade.

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“Sentimentos misturados sobre a visita ao Palácio de Buckingham. 10 minutos depois de chegar, um membro do staff, Lady SH, aproxima-se, mexe-me no cabelo para ver o meu nome. A conversa abaixo seguiu-se. O resto do evento é uma mancha”, escreveu nas redes sociais Fulani, que transcreveu o episódio, considerado pela própria como “racismo”:

“Lady SH: De onde é?
Eu: Da associação Sistah Space
SH: Não percebeu; De onde é que veio?
Eu: A nossa sede é em Hackney
SH: Não. De que parte de África é que veio?
Eu: Não sei, porque não deixaram registos e…
SH: Bem, deverá saber de onde é, não é verdade? Eu passei algum tempo em França… De onde é que você é?
Eu: Daqui, do Reino Unido
SH: Não, de que nacionalidade é?
Eu: Nasci aqui e sou inglesa
SH: Não é isso, mas de onde é que vem realmente, e de onde é que o seu povo vem?
Eu: ‘O meu povo’? O que quer dizer com isso?
SH: Oh, já percebi, vou ter que desafiá-la a dizer-me de onde é que vem…. Então e quando é que chegou pela primeira vez aqui?
Eu: Por favor, eu sou uma cidadã britânica, os meus pais vieram para aqui nos anos 50, quando…
SH: Ah, eu sabia que havíamos de aqui chegar. Então afinal é caribenha
Eu: Não, senhora. Eu sou de herança africana, de descendência caribenha e de nacionalidade inglesa.
SH: Então isso quer dizer que é de…?”

“É um caso gritante de racismo prolongado. Foi como um interrogatório. Não foi só uns segundos, foi um tema articulado ao longo de vários minutos. Sentimo-nos, enquanto três mulheres negras, que estávamos a invadir a festa, que não éramos bem-vidas ou aceites enquanto cidadãs inglesas”, lamentou Fulani, diretora da instituição.

Confrontado com o episódio, o Palácio de Buckingham emitiu uma nota em que garante que o incidente “está a ser tomado como extremamente sério” e que está “a ser investigado imediatamente”. O staff, assegura fonte do Palácio, “está a ser recordado das políticas de diversidade de inclusão que devem servir de orientação em todas as ocasiões”.

Após Fulani denunciar o episódio, Lady Susan Hussey apresentou a demissão como uma das aias principais da rainha consorte, Camilla.
“Chegámos a contacto com Ngozi Fulani sobre este assunto, e estamos a convidá-la para discutir pessoalmente connosco todos os elementos da sua experiência, se assim ela desejar”, disse um porta-voz de Buckingham, considerando que os comentários de Susan Hussey foram “profundamente inaceitáveis e infelizes”.

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