Von der Leyen, Borrell e Michel em clima de tensão: Guerra de egos na alta cúpula da UE

A ‘maquilhagem’ já começou a borrar e a deixar a descoberto as rivalidades entre os três: esta semana, Ursula von der Leyen contrariou o que tinha dito Borrell no dia anterior.

Pedro Zagacho Gonçalves

São os três rostos da União Europeia: Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, e Josep Borrell, chefe da diplomacia da União Europeia. Mas a verdade é que, nos bastidores, vivem em clima de tensão e numa verdadeira guerra de egos. A ‘maquilhagem’ já começou a borrar e a deixar a descoberto as rivalidades entre os três.

Recorda o El País que, na terça-feira, Borrell arrasou o trabalho do corpo diplomático europeu e as suas palavras agitaram Bruxelas: “Não lhes vou entregar flores e dizer que são estupendos. Têm de ser mais rápidos e arriscar. Preciso que me informem rápido sobre o que se passa nos vossos países. Às vezes fico melhor informado do que se está a passar ao ler os jornais do que ao ler os vossos relatórios, que chegam demadiaso tarde. Não quero atirar culpas ou envergonhar ninguém, mas preciso que sejam mais reativos, 24 horas por dia. Estamos  a viver uma crise, temos que estar em modo crise”.

O espanhol, que está há três anos no cargo de Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, continuou: “Uma vez que vos tenho a todos vocês, devia de ser a pessoa mais bem informada do mundo, ou ao menos como qualquer ministro dos Negócios Estrangeiros. Eu sou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Europa! Comportem-se como uma embaixada! Rápido, por favor”.

No dia seguinte, Von der Leyen dirigiu-se ao mesmo auditório e contrariou completamente Borrell. Deu as boas-vindas, e agradeceu, por três vezes o “trabalho sem descanso e excelente” dos seus enviados.

O episódio de contradição entre os dois responsáveis vem pôr a descoberto a realidade: não se dão bem, não se respeitam, e entram em conflito regularmente. Von der Leyen quer fazer todos os anúncios importantes, mesmo que entrem na esfera dos Negócios Estrangeiros, mesmo que desafie a logística, as suas competências ou a agenda.

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Da mesma forma, ainda há poucas semanas, Charles Michel convocou vários correspondentes para uma entrevista, na qual atacou claramente von der Leyen, responsabilizando-a pela lentidão na resposta dada pela UE à crise energética atualmente vivida. O ‘golpe’ pode ter sido retaliação ao episódio da falta de lugar no sofá para von der Leyen na reunião com Erdogan, na Turquia, que o deixou ficar mal perante a opinião pública, ou pelo papel de destaque que a alemã manteve durante toda a pandemia. Michel parece estar pouco contente em ficar com um papel secundário, atrás do da presidente da Comissão Europeia.

Já Charles Michel e Josep Borrell, que outrora eram próximos, também agora não se entendem nos bastidores, garante o EL País, abrindo divisões de posição e lutando um contra o outro para assumir lugar de maio destaque em encontros, cimeiras, viagens ou anúncios.

Esta competição entre os três responsáveis está a complicar a vidas de várias instituições, em termos de protocolo, de agenda, uma vez que gera dúvidas sobre quem é o ‘correto’ representante da União Europeia em cada caso e qual a posição a ser tomada em determinado assunto. Mais, a escalada desta guerra de egos, pode continuar a dar origem a mais episódios de provocações dos três responsáveis, minando a integridade da União Europeia, em plena situação de crise com a guerra na Ucrânia.

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